Em retorno de viagem à França, o papa Leão XIV afirmou que o avanço da extrema direita na Europa e no mundo não representa o cristianismo autêntico, pedindo o resgate dos valores evangélicos de compaixão em vez do ódio. O pontífice criticou também a indústria armamentista e os gastos militares bilionários, defendendo que esses recursos sejam revertidos para combater a fome, o desemprego e a crise habitacional, e instou os líderes globais a priorizarem o diálogo e a paz frente às guerras.
De volta à Itália após sua visita à França, o papa Leão XIV afirmou que o crescimento da extrema direita na Europa não é uma expressão do cristianismo e convidou todos a "retornar aos valores do Evangelho".
Os comentários do líder da Igreja Católica foram feitos na coletiva de imprensa durante o voo de retorno de Metz, na França, para Roma.
De acordo com o pontífice americano, "o crescimento de grupos de extrema direita" ao redor do mundo, como na Alemanha, representa "o surgimento de expressões que combinam essas posições políticas com uma certa forma de religiosidade".
"Uma religiosidade que, não só na minha opinião, mas também na opinião dos líderes das Igrejas Católica e Protestante na Alemanha, não representa uma expressão autêntica do cristianismo. Devemos retornar aos valores do Evangelho, que não se baseiam no ódio e na divisão, mas na compreensão, na compaixão e no acompanhamento", disse Robert Francis Prevost.
O Papa também alertou que o mundo "continua se armando e gastando somas enormes na gigantesca indústria militar", definida pelo religioso como "uma indústria da qual alguns poucos privilegiados obtêm lucros exorbitantes promovendo a guerra".
"No entanto, esses bilhões de euros ou dólares poderiam ser usados para resolver problemas como a fome mundial, a crise habitacional e o desemprego. Precisamos de uma voz que proponha um caminho diferente, que rejeite a ideia de gastar cada vez mais em armamentos, alimentando apenas tensões que podem levar ao início de outra guerra ou a um novo conflito", acrescentou.
Na visão do religioso, a Igreja Católica "tem a responsabilidade de promover valores como a dignidade humana, a santidade da vida e a possibilidade de investir mais em saúde e educação, em vez de em armas".
"Devemos continuar a instar os líderes a se encontrarem, a sentarem-se à mesma mesa, a dialogarem e a buscarem soluções para esses problemas, em vez de persistirem em guerras que já não fazem sentido. Não podemos forçar ninguém, mas continuaremos a apoiar essas demandas, a lançar apelos e a proclamar o Evangelho", concluiu. .