Papa defende 'novo rumo para a história' diante de 'tentações neocoloniais'

Leão XIV fez apelo em discurso às autoridades argelinas em Argel

13 abr 2026 - 09h51
(atualizado às 10h53)

O papa Leão XIV defendeu nesta segunda-feira (13) que é "mais urgente do que nunca" a necessidade de "um novo rumo para a história", diante do que classificou como "contínuas violações do direito internacional" e "tentações neocoloniais".

A declaração foi feita durante um discurso às autoridades argelinas em Argel, onde ele deu início a uma visita inédita ao continente africano, que também incluirá passagens por Camarões, Angola e Guiné Equatorial.

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Em seu pronunciamento, o Pontífice pediu que o país assuma um papel de liderança na promoção da justiça entre os povos.

"Pessoas e organizações que dominam outras - a África sabe bem disso - destroem o mundo", afirmou, destacando que experiências históricas de dominação, especialmente no contexto africano, resultaram em profundas desigualdades e conflitos.

Segundo ele, a experiência do continente pode contribuir para "imaginar e alcançar maior justiça entre os povos", desde que baseada no respeito à dignidade humana e na capacidade de se sensibilizar diante do sofrimento alheio.

Além disso, Leão XIV alertou para o risco de o Mediterrâneo e o Saara se tornarem "cemitérios onde até a esperança morre".

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O líder da Igreja Católica aproveitou o momento para pedir que essas regiões sejam libertadas de dinâmicas de exploração e violência, e defendeu a criação de "oásis de paz", além do combate às causas do desespero, incluindo aqueles que lucram com a migração e a tragédia humana.

"Os lucros daqueles que especulam com a vida humana, cuja dignidade é inviolável, são ilícitos", afirmou.

O Papa também destacou que as autoridades devem atuar "não para dominar, mas para servir ao povo e ao seu desenvolvimento", ressaltando que a ação política deve ter como critério a justiça e a promoção de condições dignas para todos.

Além disso, defendeu a ideia de uma humanidade unida como "a chave para abrir muitas portas fechadas": "Em um mundo cheio de conflitos e incompreensões, encontremo-nos e busquemos o entendimento, reconhecendo que somos uma só família".

Leão XIV afirmou ainda que muitas sociedades enfrentam uma crescente polarização da fé, marcada por dinâmicas opostas de fundamentalismo e secularização.

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"Há uma tendência em muitas sociedades à polarização da fé: aqui, como em todo o mundo, tendem a manifestar-se dinâmicas opostas de fundamentalismo ou secularização, fazendo com que muitos percam seu autêntico senso de Deus e a dignidade de todas as suas criaturas", disse o Pontífice.

De acordo com Robert Prevost, essa polarização pode distorcer o papel da religião na vida social. "Símbolos e palavras religiosas podem então se tornar, por um lado, linguagens blasfemas de violência e opressão e, por outro, sinais sem sentido no vasto mercado do consumo insaciável", afirmou.

Desta forma, o Papa classificou essas tendências como "absurdas", mas pediu que a sociedade não ceda ao medo. Ele ainda destacou a importância da formação humana e do diálogo inter-religioso e social.

"Precisamos educar as pessoas no pensamento crítico e na liberdade, na escuta e no diálogo, na confiança que nos permite reconhecer os outros como companheiros de viagem, não como ameaças", disse.

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Por fim, o Pontífice defendeu esforços de reconciliação histórica. "Devemos trabalhar para curar as memórias e promover a reconciliação entre antigos adversários", concluiu.

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