Enquanto os pais de Trystan Pidoux, de 17 anos, que morreu no incêndio de um bar na estação de esqui suíça de Crans-Montana, se preparavam para enterrar o filho, aguardavam que os promotores agissem em relação ao seu pedido de autópsia.
Como não obtiveram resposta, Vinciane Stucky e Christian Pidoux decidiram seguir com os planos de enterrar seu segundo filho, que foi comemorar o Ano Novo no bar Le Constellation com amigos e nunca mais voltou.
Mas, na véspera do enterro, médicos chegaram durante a última vigília da mãe para levar o corpo, forçando a família a cancelar o enterro e deixar a sepultura pré-adornada vazia, disseram os pais e o advogado da família à Reuters.
"Foi como se eles ainda estivessem nos apunhalando quando já estávamos mortos", disse a mãe, Stucky, em sua casa em Pully, no oeste da Suíça, a uma curta distância de onde Trystan foi enterrado três dias depois, em 16 de janeiro, ao lado de seu melhor amigo.
Os promotores do cantão de Valais se recusaram a responder quando procurados pela Reuters para comentar o caso da família, dizendo que só se comunicavam por meio de notas à imprensa.
Devido ao pedido de sua família, Trystan foi uma das poucas vítimas — muitas delas adolescentes em férias — a passar por autópsias, e somente depois que as autoridades suíças liberaram os corpos, disseram seis fontes que acompanham o caso à Reuters.
Alguns parentes das 41 pessoas que morreram e seus representantes legais afirmam que o fato de os promotores não terem ordenado autópsias em todas as vítimas abalou sua confiança na investigação.
A Suíça — que já enfrenta preocupações com a segurança em relação ao incêndio — agora deve encarar as crescentes dúvidas locais e internacionais sobre seu sistema judiciário.
O Ministério da Justiça suíço se recusou a comentar, encaminhando as perguntas aos promotores. Autoridades enfatizaram que o judiciário é independente e pediram paciência com a investigação de uma das piores tragédias modernas do país.
Os promotores de Valais, que estão investigando crimes incluindo homicídio culposo, já defenderam sua investigação, afirmando que estão ampliando sua equipe e ordenaram buscas, garantiram provas e apreenderam bens.