A campanha de informações falsas incluiu a "criação de um site se passando pelo France Soir", onde "uma matéria falsa acusando o presidente Emmanuel Macron de envolvimento no caso Epstein" foi publicada, explicou a fonte à AFP. O caso foi revelado pela emissora BFMTV.
A divulgação, pelo Departamento de Justiça dos EUA, de milhões de documentos relacionados ao financista americano e criminoso sexual, condenado e morto na prisão em 2019, causa escândalos em diversos países nas últimas semanas.
A informação falsa foi "amplificada no X", acrescentou a fonte. O jornal France Soir publicou uma nota nas redes sociais na noite de quarta-feira, negando ser o autor do texto.
"Alerta importante aos leitores do France Soir. Atenção: roubo de marca registrada e conteúdo. O site http://france-soir.net não tem qualquer ligação com o France Soir", afirmou o veículo, em um comunicado à imprensa.
Segundo a fonte no governo, "o Viginum atribui este site, com alto grau de certeza, à operação de informação CopyCop", ligado a um ex-policial americano, John Mark Dougan, que vive exilado na Rússia desde 2016. Dougan "registra e mantém parte da infraestrutura digital da operação de informação Storm-1516", explicou a fonte.
Metodologia conhecida
No X, a primeira conta a disseminar o vídeo foi "@LoetitiaH, uma antiga e frequente rede de retransmissão das operações de informação da Storm-1516", complementou a fonte, acrescentando que "esta operação é muito semelhante" ao que a rede Storm-1516 costuma fazer, "visando figuras políticas, incluindo o presidente, e capitalizando rapidamente sobre eventos atuais".
O conteúdo do vídeo foi então "republicado e amplificado por inúmeras outras contas monitoradas pela Viginum e muito provavelmente pagas pelos operadores da operação".
Os documentos sobre o caso Epstein revelaram ligações entre o empresário e diversas figuras proeminentes em todo o mundo, incluindo o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o ex-presidente Bill Clinton, o cofundador da Microsoft, Bill Gates, o príncipe britânico Andrew e a princesa norueguesa Mette-Marit.
Ex-ministro Jack Lang é convocado a se explicar
Na França, o ex-ministro da Cultura Jack Lang está sendo pressionado a renunciar à presidência do Instituto do Mundo Árabe, devido aos contatos que manteve com o criminoso sexual, divulgados no novo lote de documentos publicados na semana passada. Lang foi convocado a dar explicações ao Ministério das Relações Exteriores da França neste domingo (8).
O ex-ministro socialista da Cultura, agora com 86 anos, declarou que "aceita plenamente seus laços passados" com o financista americano e que não sabia nada do passado criminoso de Epstein quando o conheceu, "há cerca de 15 anos" por meio do cineasta americano Woody Allen. Nenhuma acusação foi feita contra Jack Lang, e sua presença nesses três milhões de documentos não implica qualquer irregularidade de sua parte, embora ele seja mencionado 673 vezes.
IA cria imagens falsas em segundos
A disseminação de fotos que ligam falsamente figuras políticas ao criminoso sexual americano é preocupante. Um estudo americano publicado na quinta-feira (5) mostrou que a inteligência artificial pode gerar imagens convincentes de Jeffrey Epstein com líderes mundiais "em segundos".
O grupo americano de monitoramento de desinformação NewsGuard pediu para três importantes geradores de imagens que criarem fotos de Epstein com cinco autoridades: Donald Trump, Emmanuel Macron, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.
O "Grok Imagine", ferramenta desenvolvida pela xAI de Elon Musk, produziu "falsificações convincentes em segundos", afirma o estudo. Entre as imagens falsas, mas realista, uma mostra Trump mais jovem com Epstein cercado por meninas.
O bilionário foi fotografado com Epstein em diversos eventos sociais, mas não existem fotos conhecidas dos dois na presença de menores. O "Gemini", ferramenta do Google, recusou-se a gerar uma imagem de Epstein com Donald Trump, mas produziu fotos realistas das outras quatro figuras políticas. As imagens mostram Epstein com eles em festas, em um jato particular ou relaxando na praia.
De acordo com o NewsGuard, isso "demonstra a facilidade com que agentes maliciosos podem usar ferramentas de geração de imagens com inteligência artificial para produzir falsificações (...) que provavelmente se tornarão virais". Também explica "por que é difícil distinguir imagens autênticas daquelas geradas por IA".
Apenas o "ChatGPT", da OpenAI, se recusou a produzir imagens de Epstein com estes líderes, explicando que "não é capaz de criar imagens envolvendo pessoas reais com representações sexualizadas de menores ou cenários envolvendo abuso sexual".
Figura proeminente da alta sociedade nova-iorquina durante as décadas de 1990 e 2000, Jeffrey Epstein foi acusado de explorar sexualmente mais de mil jovens mulheres, incluindo menores de idade. Segundo as autoridades americanas, ele cometeu suicídio na prisão em 2019, antes de seu julgamento. Inúmeras teorias da conspiração afirmam que ele foi assassinado para impedi-lo de incriminar as elites que supostamente se beneficiaram de seus crimes.
Com AFP e Reuters