Oriente Médio: Cessar-fogo se desfaz enquanto EUA e Irã voltam a atacar

Washington lançou uma série de ataques enquanto Teerã retaliou contra países árabes do Golfo Pérsico aliados dos EUA; veja os últimos acontecimentos

12 jul 2026 - 23h34

Os Estados Unidos realizaram uma nova rodada de ataques contra alvos iranianos neste domingo, 12, disse um oficial americano, ampliando um padrão de ataques entre os dois lados enquanto o frágil cessar-fogo continua a se desfazer. A mídia estatal iraniana relatou explosões em uma ilha no Estreito de Ormuz, uma via navegável economicamente vital e no centro de uma disputa entre os dois países.

Publicidade
Trump durante reunião da Otan
Trump durante reunião da Otan
Foto: Beata Zawrzel/NurPhoto via Getty Images

O oficial americano, que não estava autorizado a falar publicamente, disse que os ataques tinham como objetivo prejudicar a capacidade do Irã de atingir navios mercantes no estreito, onde um ataque iraniano a um navio porta-contêineres no sábado desencadeou as mais recentes trocas de tiros.

Os EUA lançaram uma série de ataques no sábado, e o Irã retaliou durante a noite, disparando contra países árabes do Golfo Pérsico aliados dos EUA.

Os ataques mútuos se estenderam por quase uma semana, impulsionados por uma disputa sobre o Estreito de Ormuz, onde os EUA acusaram repetidamente o Irã de atacar navios comerciais. O Irã não havia reivindicado a responsabilidade por nenhum ataque até sábado, quando afirmou ter disparado contra um navio porta-contêineres com bandeira cipriota que tentou usar uma rota não autorizada pelo estreito.

O Irã também declarou o fechamento da hidrovia, por onde passava cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo antes da guerra.

Publicidade

O controle do estreito virou um elemento crucial para o Irã. Mohsen Rezai, conselheiro militar do líder supremo iraniano, declarou neste domingo que "a passagem estratégica é mais importante do que dezenas de bombas atômicas", em uma referência ao programa nuclear do país.

O presidente Trump, por outro lado, disse neste domingo que o estreito estava aberto ao tráfego marítimo, acrescentando que os EUA haviam "bombardeado o Irã impiedosamente" na noite anterior.

A imprensa iraniana relatou explosões no sul do país, em Bandar Abbas, Sirik e na ilha de Qeshm, assim como na província de Khuzestan, na fronteira com o Iraque. Também informou a morte de um soldado na cidade de Jask, no sul do país.

Trump também sugeriu que os dois lados estiveram perto de um acordo durante o fim de semana, antes do ataque ao navio, mas não ofereceu detalhes. O Irã não afirmou ter concordado com nenhum novo acordo e a Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as declarações de Trump.

Publicidade

O governo americano afirmou que o cessar-fogo firmado no mês passado suspenderia completamente o bloqueio iraniano ao estreito. No entanto, o Irã insiste que todos os navios que transitam pela hidrovia passam por suas águas territoriais, buscando usar isso como moeda de troca nas negociações de paz. Washington exige que Teerã abandone essa reivindicação e permita a livre circulação de embarcações comerciais.

O chefe da diplomacia do Paquistão e mediador no conflito, Ishaq Dar, pediu às partes uma "desescalada" e que demonstrem "moderação".

Ataques no Golfo Pérsico

Após os ataques mais recentes dos Estados Unidos contra o Irã, Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos relataram ataques aéreos contra seus territórios. Além disso, explosões foram ouvidas no Catar.

As autoridades de Doha confirmaram que interceptaram mísseis, enquanto Teerã anunciou que atacou uma base aérea americana no emirado "em resposta aos ataques contínuos" dos Estados Unidos.

A Guarda Revolucionária reivindicou um raro ataque contra Omã, ao anunciar que destruiu bases de apoio logístico aos porta-aviões americanos no porto de Duqm, segundo a agência Irib.

Publicidade

A Jordânia também informou ter sido alvo neste domingo de três mísseis iranianos que não provocaram danos.

Ao anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz, a Guarda Revolucionária afirmou que efetuou disparos de advertência contra um navio que "havia tentado seguir uma rota não autorizada".

Teerã autorizou apenas um corredor de navegação pela passagem marítima, perto de suas costas, e descarta a possibilidade de retornar à situação anterior à guerra, quando havia livre trânsito na região.

Segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, o ataque aconteceu 17 km ao leste da península de Musandam, em Omã, e provocou um incêndio a bordo, o que levou a tripulação a abandonar a embarcação em um bote salva-vidas.

Publicidade

O Ministério das Relações Exteriores da Índia informou que 11 cidadãos do país estavam na embarcação - 10 foram resgatados e um está desaparecido.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que "o Irã tomou uma decisão ruim" e "vai pagar" o preço./ Com NYT e AFP

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações