O cemitério de emergência onde a Venezuela enterra vítimas dos terremotos

Por causa do alto número de mortos na tragédia, as autoridades venezuelanas estão usando retroescavadeiras para escavar valas em local que terá sepulturas individuais a cerca de uma hora de carro de La Guaira, a região mais afetada pelos tremores.

8 jul 2026 - 06h48
Na vala, foram colocados alguns dos corpos que ainda não puderam ser identificados
Na vala, foram colocados alguns dos corpos que ainda não puderam ser identificados
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Os dois terremotos que atingiram o norte da Venezuela em 24 de junho deixaram um rastro de destruição como não se via no país há mais de um século.

Até o momento, o número de mortos já passa de 3,5 mil. Desse total, quase 300 corpos ainda não foram identificados.

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Diante da situação, as autoridades venezuelanas precisaram criar um cemitério de emergência, localizado a cerca de uma hora de carro de La Guaira, a região mais afetada pelos tremores.

A vala de emergência foi construída no cemitério de La Esperanza
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O cemitério de emergência foi construído em uma área afastada do cemitério de La Esperanza.

As longas fileiras de cruzes brancas, destinadas a marcar os túmulos das vítimas do terremoto, se espalham pelo topo de uma colina nessa região montanhosa, retratando a dimensão da tragédia que mantém a Venezuela de luto.

Para lá, chegam continuamente caminhões carregados com os corpos das vítimas do terremoto.

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Nos últimos dias, máquinas pesadas têm escavado valas para sepultar os corpos encontrados entre os escombros
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
O número de mortos em decorrência dos terremotos já passa de 3,5 mil
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

As retroescavadeiras abriram uma área ampla para receber os corpos que foram resgatados dos escombros.

A maquinaria pesada trabalha há mais de 10 dias escavando as valas.

"Começamos este trabalho, que tem sido feito com dedicação e amor, junto a uma equipe de voluntários e pessoas que realmente se empenharam porque isso partiu delas e porque conhecem a situação em que estamos", explicou à BBC Mundo o líder comunitário Elis Zabala.

As autoridades afirmam que não se trata de uma vala comum e que cada sepultamento é realizado de forma individual.

As autoridades afirmaram que muitos dos corpos enterrados em La Esperanza estão devidamente identificados
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Os familiares das vítimas não estão presentes para dar o último adeus, já que apenas alguns trabalhadores e funcionários estão autorizados a permanecer no local dos sepultamentos.

Cada túmulo conta com uma cruz, pedras brancas e um código de identificação que permite vincular o corpo a um registro e ao respectivo arquivo fotográfico.

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No entanto, infelizmente, muitos dos corpos ainda não puderam ser identificados.

Trabalhadores abrem algumas das valas para enterrar os corpos que foram levados nos últimos dias ao cemitério La Esperanza
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Uma das principais críticas feitas nos dias após os terremotos atingirem a Venezuela foi a falta de equipes oficiais de resgate para localizar os corpos das pessoas dadas como desaparecidas.

Aos 3,5 mil mortos confirmados até o momento, somam-se milhares de desaparecidos naquela que é considerada a pior catástrofe natural das últimas décadas do país.

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