Os húngaros compareciam às urnas neste domingo em uma eleição com potencial de encerrar o domínio do primeiro-ministro Viktor Orbán, há 16 anos no poder, abalar a Rússia e enviar ondas de choque pelos círculos de direita em todo o Ocidente, incluindo a Casa Branca do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Nacionalista eurocético, Orbán criou um modelo de "democracia iliberal" visto como um exemplo pelo movimento Make America Great Again (MAGA) de Trump e seus admiradores na Europa.
Mas muitos húngaros se cansaram de Orbán, de 62 anos, após três anos de estagnação econômica e aumento do custo de vida, juntamente com relatos de oligarcas próximos ao governo acumulando mais riqueza.
Pesquisas de opinião mostraram que o partido Fidesz, de Orbán, tem entre 7 a 9 pontos percentuais menos que o novo partido de oposição de centro-direita Tisza, de Peter Magyar, com o Tisza em torno de 38-41%.
COMPARECIMENTO ÀS URNAS
Pesquisadores previam um comparecimento recorde de eleitores e os dados preliminares mostraram que 66% dos eleitores haviam votado, acima dos 52,75% registrados no mesmo ponto na eleição de 2022. Imagens de televisão mostraram longas filas do lado de fora de algumas seções de votação em Budapeste.
Após votar em Budapeste, Magyar disse que os húngaros escreveriam a história ao escolherem "entre o Oriente e o Ocidente", e pediu aos eleitores que denunciassem quaisquer irregularidades.
"A fraude eleitoral é um crime muito sério", acrescentou.
Magyar mostrou-se confiante com relação ao resultado, dizendo que a única questão é se o Tisza ganhará uma maioria simples ou uma maioria de dois terços no Parlamento de 199 assentos, o que lhe permitiria alterar a constituição da Hungria.
Orbán, que votou no mesmo distrito de Budapeste e venceu as últimas quatro eleições, disse a jornalistas: "Há uma constituição na Hungria e ela precisa ser seguida. A decisão do povo precisa ser respeitada".