Rússia recusa prolongar trégua da Páscoa ortodoxa enquanto Ucrânia não aceitar suas condições

A Rússia recusou prolongar o cessar-fogo em vigor na frente de batalha na Ucrânia até o final da noite deste domingo (12), enquanto Kiev não aceitar as condições que permitam garantir os "interesses" e os "objetivos" do Kremlin. Os dois países se acusaram mutuamente de terem violado centenas de vezes o cessar-fogo iniciado no sábado (11) por ocasião da Páscoa ortodoxa, celebrada em ambos os lados.

12 abr 2026 - 12h41

"Enquanto [Volodymyr] Zelensky não tiver a coragem de assumir essa responsabilidade, a operação militar especial continuará após o fim do cessar‑fogo", declarou o porta‑voz da presidência russa, Dmitri Peskov, em entrevista à televisão pública do país. "Uma paz duradoura só pode ser alcançada quando tivermos protegido nossos interesses e atingido os objetivos que definimos desde o início. Isso é possível a partir de hoje, mas Zelensky precisa aceitar as soluções já conhecidas", acrescentou.

O padre Petro Nemesh celebra missa para militares ucranianos, na região de Kharkiv, nordeste da Ucrânia, neste domingo, 12 de abril de 2026.
O padre Petro Nemesh celebra missa para militares ucranianos, na região de Kharkiv, nordeste da Ucrânia, neste domingo, 12 de abril de 2026.
Foto: AFP - ROMAN PILIPEY / RFI

Na véspera, o presidente ucraniano afirmou que seria "correto" que esse cessar‑fogo fosse prolongado, acrescentando ter feito essa proposta a Moscou. No entanto, Zelensky advertiu que Kiev responderia "golpe por golpe" a qualquer violação russa da trégua. 

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A pausa nos combates na linha de frente do conflito, que se estende por mais de 1.200 quilômetros, entrou em vigor às 16h (10h em Brasília) de sábado, e terminará no final da noite de domingo, totalizando 32 horas. Em um comunicado, o Estado‑Maior ucraniano afirmou nesta manhã que as forças russas haviam violado a trégua 2.299 vezes. Já o exército russo registrou 1.971 infrações por parte das forças ucranianas.

Acordo para o fim do conflito

A Ucrânia exige há anos uma trégua prolongada para facilitar as negociações sobre um possível acordo para pôr fim à guerra. No entanto, a Rússia rejeita a ideia, argumentando que uma pausa mais longa permitiria ao exército ucraniano ganhar força.

A exemplo do cessar-fogo semelhante adotado no mesmo período no ano passado, a calma na linha de frente de 1.200 quilômetros é relativa neste domingo. Ambos os exércitos acusaram-se mutuamente de ataques de artilharia, com drones e contra tropas. O Estado-Maior ucraniano destacou, contudo, que não foram registrados quaisquer ataques russos envolvendo drones Shahed de longo alcance, bombas guiadas ou mísseis.

Por outro lado, Kiev acusou as forças russas de executarem, no sábado, quatro soldados ucranianos que haviam sido presos na linha de frente perto da cidade de Veterinarne, na região nordeste de Kharkiv. Observadores militares da plataforma DeepState, próximos ao exército de Kiev, divulgaram, na noite de sábado, imagens de drones que mostram quatro pessoas vestidas com uniformes militares deitadas no chão em uma área arborizada, enquanto outra pessoa, armada, atira nelas.

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Missa de Páscoa

Na região de Kharkiv, o tenente-coronel ucraniano Vasil Kobziak disse à AFP na manhã deste domingo que a situação em seu setor estava "bastante tranquila". O militar destacou que o cessar-fogo não está sendo "totalmente" respeitado, mas a diminuição da intensidade dos combates permitiu que seus soldados participassem de uma missa de Páscoa em uma floresta da região. 

"A guerra continua e você não consegue relaxar porque, não importa qual seja o inimigo, ele sempre vai aproveitar o menor descuido", diz o soldado ucraniano Igor Kryvytch, que participou da celebração religiosa. "Os homens na linha de frente não têm folga", acrescenta.

Diversas rodadas de negociações conduzidas com o apoio dos Estados Unido nos últimos meses não conseguiram aproximar as partes de um acordo. O processo estagnou ainda mais desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, com ataques americanos e israelenses contra o Irã.

A guerra na Ucrânia, que começou com a invasão russa de 2022, já tirou centenas de milhares de vidas e deslocou milhões de pessoas. O conflito é considerado o mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

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Com AFP 

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