Nas celebrações do Dia da Unidade Alemã, em Bremen, o presidente Frank-Walter Steinmeier alertou contra o avanço do extremismo e da demagogia, que ameaçam a democracia e a coesão do país. Ele cobrou firmeza do governo no combate às causas da insegurança social e rejeitou qualquer conciliação com o nacionalismo destrutivo. Steinmeier também advertiu sobre interferências externas dos EUA e da Rússia, enquanto defendeu a manutenção do apoio à Ucrânia combinada a esforços diplomáticos pela paz.
Presidente da Alemanha afirma que a "insuportável demagogia" dos extremistas "coloca em perigo a nossa unidade" e repete que "nunca mais" se permitirá a ascensão do nacionalismo destrutivo alemão.O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, alertou em termos contundentes para o risco de fracasso da democracia e fez um apelo por um combate mais firme aos extremistas políticos e àquilo que chamou de "difamação irrefletida da República Federal".
Durante a cerimônia central das comemorações do Dia da Unidade Alemã, realizada neste sábado (03/10) em Bremen, Steinmeier recordou a reunificação do país, ocorrida há 36 anos, destacou as conquistas alcançadas desde então e concluiu seu discurso com uma mensagem otimista: "Nossa Alemanha é um bom país. Vamos torná-la ainda melhor."
Antes disso, o presidente dirigiu-se ao governo de coalizão formado por conservadores e social-democratas, afirmando que o momento exige, mais do que nunca, uma política governamental "refletida, consistente, profissional e capaz de perdurar no tempo". Segundo ele, somente assim será possível enfrentar as causas econômicas e sociais mais profundas da insegurança sentida por parte da população.
Após novos conflitos internos na coalizão, Steinmeier manteve conversas com diversos líderes políticos nos últimos dias. Fazendo referência às divisões que marcaram a República de Weimar, no período entre as duas guerras mundiais, ele afirmou: "Berlim não é Weimar".
Alertas sobre política externa e apoio à Ucrânia
Steinmeier também advertiu explicitamente sobre influências consideradas prejudiciais à democracia alemã vindas dos Estados Unidos e da Rússia. Segundo ele, populistas de direita nos EUA difundem fantasias de ruptura política, classificadas por ele como parte do vocabulário dos "novos antidemocratas".
"A insuportável demagogia política das forças extremistas, que dão vazão ao seu impulso destrutivo e se dedicam a ridicularizar e ameaçar outras pessoas, não coloca em risco apenas a liberdade e a democracia atualmente; coloca em risco a nossa unidade", afirmou.
Ao mesmo tempo, o presidente delimitou o alcance do diálogo com grupos extremistas. Ele lembrou que, nos últimos anos, procurou construir pontes com a população ao transferir temporariamente a sede da Presidência para cidades pequenas e médias em diferentes regiões do país. No entanto, ressaltou que não é possível construir uma ponte "entre o respeito à lei e o desprezo por ela, entre a busca pela verdade e a disposição para mentir, entre o argumento e a demagogia, entre a paz interna e a incitação à violência".
Steinmeier insistiu ainda que jamais deve ser permitido o ressurgimento de um nacionalismo alemão destrutivo.
Em relação à guerra na Ucrânia, ele defendeu a continuidade do apoio alemão ao país, mas também uma intensificação dos esforços diplomáticos.
"Por mais que sejamos o principal apoiador da Ucrânia, também devemos exercer nosso papel político para influenciar diretamente as futuras condições de paz e segurança na Europa", declarou.
O presidente também celebrou o fortalecimento das Forças Armadas alemãs (Bundeswehr) e afirmou que o país precisa desenvolver uma postura madura na relação entre força militar e prudência diplomática.
A unidade como missão permanente
Andreas Bovenschulte, presidente do Bundesrat, órgão que representa os 16 estados federados da Alemanha, defendeu maior reconhecimento da diversidade de estilos de vida existentes no país e um compromisso firme com a democracia.
Também prefeito de Bremen e integrante do Partido Social-Democrata (SPD), Bovenschulte afirmou que a reunificação foi resultado de uma decisão coletiva e destacou o papel desempenhado pelos cidadãos da antiga Alemanha Oriental.
"Os alemães do Leste não foram meros espectadores de sua história; eles escreveram a história", disse durante a abertura oficial das celebrações.
Em meio ao debate sobre as persistentes diferenças entre o leste e o oeste do país, ele argumentou que o acesso a empregos de qualidade, educação e serviços públicos essenciais não deve depender do CEP onde uma pessoa vive.
Bovenschulte também alertou para forças políticas que questionam a igualdade de direitos e desqualificam a imprensa livre, o Judiciário independente e a ciência.
"A democracia exige debate, mas o adversário político não é um inimigo", declarou.
Segundo ele, a unidade alemã não deve ser vista apenas como um acontecimento histórico, mas como uma tarefa para o futuro.
Celebrações começaram com culto ecumênico
A cidade hanseática de Bremen, no norte da Alemanha, recebe neste ano as comemorações do Dia da Unidade Alemã, que marca os 36 anos da reunificação do país.
Sob o lema "Muitas forças, um só país", a cidade recebeu o presidente Frank-Walter Steinmeier, o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, e a presidente do Bundestag (Câmara Baixa do Parlamento), Julia Klöckner.
Os três participaram de um culto ecumênico realizado na Catedral de Bremen, um templo de arquitetura românico-gótica. A cerimônia foi conduzida pela pastora Nina Kleinsorge e marcou o início oficial das comemorações.
Uma das orações feitas durante o serviço religioso resumiu o espírito do evento:
"Agradecemos pela paz e pela liberdade de que podemos desfrutar. Dá-nos forças para permanecermos unidos, construir pontes e continuar fortes em nossa diversidade."
Representantes das comunidades cristã protestante, católica, muçulmana e judaica também participaram da celebração.
md (DPA, EFE, Reuters, AFP)
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