Rússia pede que estrangeiros deixem Kiev e ameaça intensificar ataques à capital ucraniana

A Rússia voltou a pedir neste sábado (3) que diplomatas e estrangeiros que estejam em Kiev deixem a cidade. O país alertou que as forças russas continuarão realizando "ataques maciços de represália" contra a capital ucraniana, alvo de bombardeios há várias semanas.

3 out 2026 - 10h52
Resumo
A Rússia intensificou os bombardeios a Kiev, atingindo pontes estratégicas e infraestruturas vitais, e alertou para que diplomatas e estrangeiros abandonem a capital. Diante do aumento de ataques mútuos de longo alcance e da escassez de defesas antiaéreas ucranianas, o presidente Vladimir Putin rejeitou uma proposta de trégua feita por Volodymyr Zelensky. A escalada amplia a preocupação da Ucrânia com a destruição de sua rede energética às vésperas da chegada do inverno.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia sugeriu, em comunicado, que "cidadãos estrangeiros e diplomatas presentes em Kiev deixem a cidade". "A responsabilidade por eventuais consequências negativas recai integralmente sobre aqueles que ignorarem este aviso", declarou Moscou.

Um drone russo a jato atinge a ponte Sul de Kiev, na Ucrânia, em 2 de outubro de 2026.
Um drone russo a jato atinge a ponte Sul de Kiev, na Ucrânia, em 2 de outubro de 2026.
Foto: REUTERS - Valentyn Ogirenko / RFI

O alerta anterior, emitido há alguns meses, foi ignorado pelas chancelarias ocidentais que apoiam a Ucrânia. Cerca de 50 países classificaram na ONU as mensagens russas como "ameaças" contra diplomatas presentes em Kiev.

Publicidade

Nas últimas semanas, a capital ucraniana tem sido alvo de ondas quase diárias de drones, incluindo drones a jato, mais difíceis de interceptar. A Ucrânia enfrenta escassez de sistemas de defesa antiaérea.

Na manhã deste sábado, segundo o prefeito Vitali Klitschko, a ponte Norte foi bombardeada. Segundo ele, a pista e os cabos da rede de ônibus elétricos foram danificados, e o tráfego foi interrompido em uma das direções da travessia.

Na quinta e na sexta-feira, a ponte Sul também foi atacada várias vezes por drones russos, o que levou ao fechamento da estrutura e provocou caos no trânsito da metrópole de três milhões de habitantes.

Na sexta-feira, Klitschko classificou a situação da capital como "extremamente dramática" e acusou Moscou de estar "devastando" a cidade ao atingir sistematicamente suas infraestruturas e redes logísticas.

Publicidade

Esses são os primeiros ataques significativos contra uma grande ponte de Kiev desde o início da invasão russa, em 2022. Há muito tempo as autoridades ucranianas temiam esse tipo de ofensiva. Ucrânia e Rússia ampliaram consideravelmente seus ataques de longo alcance nos últimos meses, aumentando o número de vítimas civis. Em Kiev, os alertas de ataque aéreo se tornaram praticamente permanentes.

Moscou também atacou setores estratégicos da economia ucraniana, como a siderurgia e as exportações agrícolas pelo mar Negro. Postos de combustível, centros comerciais, data centers e operadoras de telefonia também foram alvo dos bombardeios. Na Rússia, por sua vez, refinarias, depósitos de petróleo e centros logísticos de grandes empresas de comércio eletrônico têm sido atingidos por ataques ucranianos.

A preocupação com o inverno

Depois de uma ofensiva lançada neste verão com o objetivo declarado de enfraquecer a economia russa, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, passou a defender uma trégua nos ataques de longo alcance.

A proposta foi rejeitada pelo presidente russo, Vladimir Putin, na quinta-feira. "Eles nos dizem: 'Se vocês pararem de atacar refinarias, nós deixaremos de atacar seus navios'. Isso é simplesmente ridículo", afirmou Putin durante o fórum político de Valdai.

Publicidade

A principal preocupação da Ucrânia agora é a chegada do inverno, período em que as infraestruturas energéticas costumam ser alvo prioritário dos ataques russos. Em 2025, a Rússia devastou centrais elétricas ucranianas, deixando milhões de pessoas sem aquecimento e sem energia em meio a temperaturas extremamente baixas.

No fim de setembro, discursando na ONU, Zelensky afirmou que os ucranianos estão conscientes de que os próximos meses poderão ser extremamente duros, mas advertiu que, diante dessa realidade, a Ucrânia buscará impor custos semelhantes à Rússia.

Com agências

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações