'Não levaram o problema a sério', conta passageiro de cruzeiro com hantavírus; três pessoas já morreram

Blogueiro de viagens disse que ficou surpreso quando a vida a bordo do navio continuou normalmente mesmo após a morte de um passageiro

7 mai 2026 - 10h45
(atualizado às 12h08)
Passageiro critica cruzeiro com hantavírus após mortes: 'Não levaram o problema a sério'
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O blogueiro de viagens turco Ruhi Cenet, de 35 anos, contou que ficou surpreso quando a vida a bordo do cruzeiro MV Hondius -- afetado pelo surto de hantavírus -- continuou normalmente mesmo após o capitão anunciar no dia 12 de abril a morte de um passageiro. Até o momento, três passageiros já faleceram e pelo menos outros cinco contraíram, de forma confirmada ou provável, hantavírus, uma rara doença respiratória potencialmente mortal, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Ele disse que [a morte] ocorreu por causas naturais", lembrou Cenet em entrevista à agência AFP. "Nem sequer consideraram a possibilidade de que fosse uma doença tão contagiosa. Não levaram o problema suficientemente a sério", disse o blogueiro.

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Ruhi Cenet contou que ficou surpreso quando a vida a bordo do cruzeiro MV Hondius -- afetado pelo surto de hantavírus -- continuou normalmente após a primeira morte
Ruhi Cenet contou que ficou surpreso quando a vida a bordo do cruzeiro MV Hondius -- afetado pelo surto de hantavírus -- continuou normalmente após a primeira morte
Foto: Reprodução/Instagram/@ruhicenet

Ele também contou que o chefe da tripulação afirmou que o médico britânico do navio disse que eles não estavam infectados, sem imaginar que o próprio médico estaria em estado grave semanas depois.

"Continuamos comendo todos juntos [...] e não usávamos máscaras", afirmou Cenet. Mesmo assim, ele e um colega cinegrafista decidiram se isolar voluntariamente por segurança. "Não sabíamos que havia um vírus, mas simplesmente tomamos precauções."

O blogueiro ainda disse que, após a primeira morte, o navio ancorou em frente a Tristão da Cunha e teme o "pior cenário possível". "Gostaria que não tivéssemos desembarcado lá depois da primeira morte, porque junto conosco havia mais cem passageiros, e eles estiveram interagindo com os moradores da ilha", recordou. "Esse é um dos meus remorsos, porque a ilha é a mais remota, e eles não contam com centros médicos suficientes nem com médicos suficientes", acrescentou.

Cenet desembarcou no território ultramarino britânico de Santa Helena em 24 de abril, com outros cerca de 20 passageiros. Depois, ele pegou um voo para a África do Sul, no mesmo avião em que viajava a mulher da primeira vítima. Ela morreu no dia seguinte. Ele relatou que um conhecido que continua a bordo do cruzeiro disse que os passageiros agora estavam isolados em suas cabines usando máscaras.

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Operadora diz que não há mais passageiros com sintomas 

A Oceanwide Expeditions, operadora holandesa do navio de cruzeiro afetado pelo surto de hantavírus perto de Cabo Verde, anunciou nesta quinta-feira, 7, que os passageiros sintomáticos a bordo foram retirados da embarcação.

"Todos os passageiros que apresentaram sintomas de hantavírus desembarcaram do MV Hondius", declarou a empresa em comunicado, após a evacuação de três pessoas para a Holanda, sendo "uma assintomática e duas sintomáticas".

O navio seguirá agora de Cabo Verde para as Ilhas Canárias, onde os demais passageiros e tripulantes a bordo serão monitorados e poderão retornar de avião aos seus países de origem.

Os hantavírus são transmitidos principalmente aos seres humanos por roedores infectados e podem provocar doenças respiratórias e cardíacas, além de febres hemorrágicas.

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A embarcação, que partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril com 174 pessoas a bordo, rumo à África, tem chegada prevista para sábado, 9, em Tenerife, na Espanha, onde deverá ocorrer a evacuação completa dos passageiros no início da próxima semana. *(Com informações da Ansa).

Fonte: Portal Terra
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