Um aterro sanitário a céu aberto localizado na entrada da cidade de Ushuaia, na província argentina da Terra do Fogo, passou a ser investigado como possível reservatório da cepa andina do hantavírus, após o registro de infecção em dois turistas holandeses que viajaram a bordo do navio MV Hondius.
A informação foi confirmada à agência ANSA pelo fotógrafo e guia local Gastón Bretti, que relatou que o local é frequentemente visitado por observadores de pássaros. "É comum observadores de pássaros visitarem aterros sanitários porque há muitas aves, geralmente necrófagas, que se alimentam de carniça", afirmou Bretti.
O guia descreveu a área como "uma montanha de lixo" que teria ultrapassado os limites originalmente previstos pelas autoridades locais. De acordo com o fotógrafo, os visitantes costumam realizar observações a partir de uma trilha paralela ao aterro, considerada de fácil acesso e localizada na entrada da cidade.
O caso mobilizou autoridades sanitárias argentinas, que anunciaram o envio de especialistas do Instituto Malbran para investigar a área. As equipes devem capturar roedores presentes no local e analisar amostras fecais em busca da presença do vírus.
Segundo registros oficiais, a província da Terra do Fogo não é considerada uma região endêmica para a cepa andina do hantavírus. Por isso, especialistas trabalham para determinar se houve alteração no cenário epidemiológico local.
As autoridades também investigam a possibilidade de que os dois turistas tenham sido expostos ao vírus em outras regiões da Argentina ou do Chile, consideradas áreas endêmicas para a doença, visitadas por eles antes do embarque em Ushuaia, em 1º de abril.
O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com secreções, urina ou fezes de roedores infectados e pode causar uma síndrome pulmonar grave, potencialmente fatal.