Irã adverte EUA sobre risco de impasse militar em Ormuz e diz que confronto ainda 'nem começou'

Um dia após novos confrontos armados no Estreito de Ormuz, autoridades iranianas endureceram o discurso contra os Estados Unidos e alertaram para o risco de um impasse militar prolongado

5 mai 2026 - 06h30
(atualizado às 07h37)
Uma faixa gigante representando o Estreito de Ormuz é exibida na Praça Vali-e Asr, com a frase "No ponto de ruptura", enquanto as tensões continuam entre o Irã e os Estados Unidos em Teerã, Irã, em 2 de maio de 2026.
Uma faixa gigante representando o Estreito de Ormuz é exibida na Praça Vali-e Asr, com a frase "No ponto de ruptura", enquanto as tensões continuam entre o Irã e os Estados Unidos em Teerã, Irã, em 2 de maio de 2026.
Foto: Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images

A tensão em torno do Estreito de Ormuz voltou a subir após Estados Unidos e Irã realizarem, nesta segunda-feira, 28, intervenções militares no Golfo Pérsico. Washington afirmou tentar reassumir o controle da navegação na passagem estratégica, enquanto Teerã declarou reagir ao que classificou como bloqueio marítimo norte-americano ao atingir, entre outros alvos, uma infraestrutura petrolífera nos Emirados Árabes Unidos.

O agravamento da crise ameaça a trégua anunciada há quase um mês com mediação do Paquistão. Nenhum avanço foi registrado desde o impasse das negociações realizadas em Islamabad, nos dias 11 e 12 de abril.

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Dois dias depois de afirmar ao Congresso dos Estados Unidos que a guerra havia terminado, contornando o calendário que exigiria autorização dos parlamentares para a operação militar contra o Irã, o presidente Donald Trump anunciou no domingo à noite o chamado "Projeto Liberdade". A iniciativa tem como objetivo permitir a saída de navios comerciais retidos no Estreito de Ormuz.

Passagem essencial para o abastecimento energético global, o estreito foi, na prática, fechado pelo Irã após o início da campanha de bombardeios conduzida por Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro.

Navios comerciais que operam na área relataram, nesta segunda-feira, explosões ou incêndios a bordo. O Exército norte-americano afirmou ter destruído seis pequenas embarcações militares iranianas e declarou que dois navios comerciais norte-americanos cruzaram o Estreito de Ormuz. As informações foram negadas por Teerã, que lançou drones e mísseis contra os Emirados Árabes Unidos, provocando um incêndio no porto petrolífero de Al‑Fujairah, um dos mais importantes do país.

Mesmo com o anúncio de trégua feito por Donald Trump em 16 de abril, os combates também prosseguiram no Líbano, onde Israel e o Hezbollah continuam trocando ataques. O Exército israelense, que invadiu o sul do Líbano no início de março, mantém operações terrestres e a destruição de localidades. Nesta segunda-feira, as Forças de Defesa de Israel emitiram novas ordens de evacuação, em uma estratégia de deslocamento forçado semelhante à aplicada na Faixa de Gaza.

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As principais Bolsas europeias passaram a precificar um cenário mais adverso, com expectativa de queda, diante do afastamento da perspectiva de uma trégua duradoura entre Estados Unidos e Irã. O mercado de petróleo, porém, registrou leve recuo após ter subido quase 6% na véspera, após a Marinha norte-americana conseguir escoltar um navio da empresa Maersk pela passagem de Ormuz.

"Nem começamos"

Nesta terça-feira (29), o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o Irã ainda "nem começou" seu confronto com os Estados Unidos, em referência aos choques ocorridos no dia anterior no Estreito de Ormuz.

"Sabemos muito bem que a continuação da situação atual é insustentável para os Estados Unidos, enquanto nós ainda nem sequer começamos", escreveu Ghalibaf em persa na rede social X. Ele é uma das figuras mais influentes do regime e lidera o grupo iraniano nas discussões destinadas a encerrar a guerra.

O parlamentar acrescentou que os Estados Unidos e seus aliados colocaram em risco a segurança do transporte marítimo e energético e avaliou que a "presença nociva" dessas forças no Oriente Médio está em declínio.

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Saída diplomática em aberto

Apesar do discurso de confronto, o Irã não descartou completamente uma solução negociada. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou em sua conta na rede X que os acontecimentos no Estreito de Ormuz demonstram que crises políticas não têm solução militar.

Segundo Araghchi, graças à mediação do Paquistão, as negociações continuam avançando, ainda que sem resultados concretos até o momento. Ele advertiu que os Estados Unidos precisam agir com cautela para não cair novamente em uma armadilha preparada por atores que classificou como mal‑intencionados — alerta que também dirigiu aos Emirados Árabes Unidos.

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