Como um cruzeiro marítimo se transformou em um pesadelo com o hantavírus

4 mai 2026 - 21h03

A primeira vítima de um suposto surto de hantavírus já estava ‌morta há 21 dias quando o passageiro Jake Rosmarin postou um vídeo sobre vacas que ele havia visto em uma ilha vulcânica remota no Atlântico, sem nenhuma indicação de que ele soubesse que seu navio de cruzeiro estava prestes a entrar em quarentena.

Porém, mais tarde naquela noite, em 2 de maio, Rosmarin postou: "Para aqueles que viram as notícias recentes, sim, estou atualmente a bordo do M/V Hondius", acrescentando que não diria mais nada "por respeito aos envolvidos".

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No dia seguinte, com seu navio parado ⁠nas ilhas de Cabo Verde e sem permissão para desembarcar seus passageiros e tripulantes, Rosmarin, visivelmente perturbado, disse: "O que está acontecendo ‌agora é muito real para todos nós".

"Não somos apenas manchetes. Somos pessoas com famílias, com vidas, com pessoas esperando por nós em casa", acrescentou, com a voz trêmula enquanto engasgava com as lágrimas, com a aliança em seu dedo anelar visível ‌no enquadramento.

"Tudo o que queremos é nos sentir seguros e voltar para ‌casa", disse.

Isso ocorreu dois dias depois de expressar sua empolgação ao avistar um tentilhão‑de‑Wilkins, espécie criticamente ameaçada, na Ilha ⁠Nightingale.

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Cerca de 150 pessoas continuam presas no navio, que visitava alguns dos lugares mais remotos da Terra, incluindo Tristão da Cunha, uma ilha no Atlântico Sul entre a Argentina e a África do Sul, onde Rosmarin filmou as vacas.

Três pessoas a bordo -- um casal holandês e um alemão -- morreram, informou a operadora.

Rosmarin não respondeu imediatamente a um pedido de comentário via mensagem de texto, mas sua postagem foi uma rara visão da atmosfera do M/V Hondius.

O primeiro passageiro atingido, o holandês, morreu em ‌11 de abril, quando o navio se dirigia a Tristão da Cunha. Seu corpo permaneceu a bordo até 24 de abril, ‌quando "foi desembarcado em Santa Helena, com sua ⁠esposa acompanhando a repatriação", disse ⁠a operadora do navio, Oceanwide Expeditions, em um comunicado nesta segunda-feira.

Três dias depois, a esposa do homem também adoeceu e morreu, enquanto outro ⁠passageiro, um britânico, ficou "gravemente doente e foi evacuado clinicamente para a África ‌do Sul", disse a empresa.

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Autoridades sul-africanas confirmaram ‌que o paciente britânico, que está sendo tratado em um hospital de Johanesburgo, testou positivo para o hantavírus. A Holanda confirmou a presença do vírus na mulher holandesa que morreu.

CRUZEIRO CONTINUA 

O Hondius partiu em março de Ushuaia, no sul da Argentina, de acordo com a documentação da empresa, em uma viagem comercializada como uma expedição à natureza ⁠antártica, com preços de atracação variando de 14.000 a 22.000 euros (US$16.000 a US$25.000).

O navio passou pela Antártida continental, Malvinas (Falklands para os britânicos), Geórgia do Sul, Ilha Nightingale, Tristão, Santa Helena e Ascensão, antes de chegar às águas de Cabo Verde, em 3 de maio.

Em 1º de maio, o chefe de cozinha do navio, Khabir Moraes, postou um vídeo alegre de si mesmo e de seus pares nadando no oceano ao lado de ‌um bote de borracha, com o navio de cruzeiro ancorado ao fundo.

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"O dia estava agradável e a profundidade era de 4.700 metros", disse ele, comentando no vídeo que seus pares riam enquanto o puxavam de volta para o bote.

Moraes não ⁠respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters enviado por mensagem de texto. A Reuters não conseguiu determinar se ele estava ciente das mortes antes de fazer sua postagem.

No dia seguinte, outro passageiro morreu, disse a Oceanwide no comunicado desta segunda-feira, acrescentando que a causa ainda não havia sido estabelecida e que o passageiro tinha nacionalidade alemã.

A Oceanwide Expeditions disse que as autoridades sanitárias cabo-verdianas ainda não haviam concedido permissão para a retirada médica do navio e a triagem de seus passageiros.

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Agora, a empresa considera a possibilidade de navegar para Las Palmas ou Tenerife para esse fim.

O hantavírus é transmitido principalmente por roedores, mas pode ser transmitido entre pessoas em casos raros, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

Com o aumento da preocupação na África do Sul, autoridades de saúde disseram que não há necessidade de os habitantes locais se preocuparem com a disseminação do vírus em terra, enquanto autoridades de Cabo Verde também emitiram uma declaração para acalmar os temores, dizendo que, como o navio permaneceu no mar, "não há risco para a população em terra".

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