A Câmara Municipal de Trento, importante município do norte da Itália, fracassou em aprovar uma medida para revogar a cidadania honorária do ditador fascista Benito Mussolini.
A proposta recebeu 28 votos favoráveis e duas abstenções, porém 10 vereadores não votaram, e era necessária uma maioria qualificada de quatro quintos da assembleia, ou seja, 32 de um total de 40.
A medida havia sido apresentada pela base do prefeito de centro-esquerda Franco Ianeselli, que definiu o resultado como "vergonhoso".
"Trata-se de uma afronta à nossa história como cidade agraciada com a Medalha de Ouro pela sua contribuição para a Resistência", disse ele, acusando parte da oposição de direita de "não acertar as contas com o passado".
"É desolador que uma parte do Conselho Municipal não tenha compreendido a importância simbólica de revogar a cidadania do homem que levou a Itália à beira do abismo", acrescentou.
Um dos partidos que não votaram é o Irmãos da Itália (FdI), o mesmo da premiê Giorgia Meloni. "Mussolini e o fascismo pertencem ao passado, e nosso partido olha para o futuro", justificou a líder da legenda na Câmara Municipal de Trento, Ilaria Goio.
"A cidadania honorária, assim como os títulos honoríficos, são reconhecimentos vinculados à pessoa que os recebe e, com a morte do homenageado, sua função cessa. As instituições devem adotar decisões que produzam efeitos reais para a comunidade, e não ações desprovidas de consequências práticas", ressaltou.
Ao longo da era fascista, Mussolini ganhou cidadania honorária de diversos municípios italianos desejosos de ficar bem com o ditador, porém algumas dessas homenagens foram revogadas nos últimos anos, inclusive em Salò, conhecida por ter sediado o governo fantoche da Alemanha nazista no norte da Itália durante a parte final da Segunda Guerra. .