MP de Roma investiga ministros de Israel por 'tortura' contra ativistas

Caso se refere a ofensivas contra a Flotilha Global Sumud

16 out 2026 - 11h40
Resumo
O Ministério Público de Roma investiga 13 autoridades de Israel, incluindo os ministros Israel Katz e Itamar Ben-Gvir, por crimes como tortura e sequestro contra ativistas da Flotilha Global Sumud, que tentavam levar ajuda humanitária a Gaza. A apuração foca em abordagens navais ilegais fora de águas territoriais e graves abusos na detenção de participantes, incluindo cidadãos italianos, em episódio que gerou forte repúdio do presidente da Itália após vídeos de humilhações virem a público.

O Ministério Público de Roma colocou sob investigação 13 pessoas ligadas à cadeia de comando israelense, incluindo os ministros da Defesa, Israel Katz, e da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, por crimes que vão de tortura a sequestro de pessoa.

    O inquérito apura a atuação das forças do país judeu contra duas missões da Flotilha Global Sumud, iniciativa civil internacional que tentou romper o bloqueio naval contra a Faixa de Gaza e levar ajuda humanitária à população do enclave palestino.

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    Segundo o MP, as investigações identificaram "abordagens navais ocorridas em violação ao direito internacional marítimo fora de águas territoriais", incluindo a destruição de equipamentos de transmissão ao vivo e a apreensão de dispositivos eletrônicos dos ativistas, entre os quais estavam cidadãos italianos.

    O inquérito também aponta "agressões, lesões, ameaças de morte e epítetos ofensivos" contra participantes da Flotilha Global Sumud, bem como uma "reiterada recusa de fornecimento de alimentos essenciais, deliberada ausência de cuidados médicos, precárias condições ambientais e higiênico-sanitárias, privação de sono e a total ausência de assistência legal adequada" durante o período de detenção.

    Além dos dois ministros, a investigação alcança os principais nomes da cadeia de comando militar e policial israelense. Entre eles estão o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, general Eyal Zamir; o ex e o atual comandante da Marinha, David Saar Salama e Eyal Harel, respectivamente; o comandante da unidade de forças especiais navais Shayetet 13, coronel Eldad Borochovich; e o responsável pela base naval de Ashdod, coronel Eitan Paz.

    A lista de investigados ainda inclui o chefe da Polícia de Israel, Daniel Levi; o comandante do serviço penitenciário, Kobi Yaakobi; o responsável pelo presídio de Ktzi'ot, Menachem Bibas; o comandante da unidade de escolta Nahshon, Assaf Zagori; o comandante da polícia de fronteira, Berik Yitzchak; e o chefe do Estado-Maior da Marinha, Guy Levy.

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    Vídeo e agressões - As ações de Ben-Gvir, um dos ministros mais radicais do governo de Benjamin Netanyahu, provocaram indignação na Itália, sobretudo a divulgação de um vídeo em que ele aparece zombando de ativistas algemados, vendados e ajoelhados com o rosto no chão em um hangar no porto de Ashdod.

    "É assim que recebemos os apoiadores do terrorismo", diz Ben-Gvir na gravação. Uma das cenas mostra um policial agarrando a cabeça de uma mulher que gritava "Palestina livre" e a empurrando para o chão.

    O presidente da Itália, Sergio Mattarella, classificou o episódio como um "tratamento incivil infligido a pessoas detidas ilegalmente em águas internacionais, que atinge um nível ínfimo por parte de um ministro do governo de Israel".

    Integrantes da Flotilha Global Sumud, os italianos Dario Salvetti e Antonella Bundu relataram que militares israelenses também praticaram agressões sexuais e aplicaram choques elétricos em ativistas, inclusive em áreas sensíveis do corpo.

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