Líder do 'Partido das Baratas' é preso antes de manifestação em Nova Délhi, na Índia

Abhijeet Dipke, líder do movimento indiano conhecido como Partido Popular das Baratas, foi preso nesta sexta-feira (16), em Nova Délhi, antes de uma manifestação convocada pelo grupo para protestar contra a revisão das listas eleitorais. Desde maio, o movimento se consolidou como porta-voz da insatisfação de parte da juventude indiana. O grupo e a oposição exigem a renúncia do presidente da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar.

16 out 2026 - 10h57
Resumo
Abhijeet Dipke, líder do Partido das Baratas, foi detido em Nova Délhi antes de um protesto contra a revisão das listas eleitorais na Índia. A oposição acusa o governo do premiê Narendra Modi de manipular o processo, que teria excluído 130 milhões de eleitores, visando prejudicar minorias e favorecer o partido governista. Enquanto as autoridades reprimem as manifestações e alegam risco de caos e anarquia, a oposição recorreu à Suprema Corte para tentar anular a polêmica medida eleitoral.

O movimento afirma que a revisão das listas eleitorais, conduzida pelo órgão, teve o objetivo de beneficiar exclusivamente o campo político do primeiro-ministro Narendra Modi, que está no poder desde 2014. A Comissão Eleitoral nega qualquer irregularidade.

O fundador do "Partido das Baratas", Abhijeet Dipke, foi preso pela segunda vez em menos de uma semana. Na imagem, de 25 de julho de 2026, ele fala com apoiadores em Nova Délhi.
O fundador do "Partido das Baratas", Abhijeet Dipke, foi preso pela segunda vez em menos de uma semana. Na imagem, de 25 de julho de 2026, ele fala com apoiadores em Nova Délhi.
Foto: AFP - SAJJAD HUSSAIN / RFI

Pela segunda vez em menos de uma semana, Dipke foi detido diante das câmeras das emissoras de televisão locais."Ditadura!", reagiu nas redes sociais o Partido Popular das Baratas (CJP, na sigla em inglês).

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No fim de semana passado, as forças de segurança prenderam milhares de pessoas em Nova Délhi, mais de 20 mil, segundo a imprensa local, para impedir uma manifestação organizada pelo CJP. Dipke foi detido a bordo de um avião que acabava de pousar na capital e permaneceu preso por 24 horas.

Na terça-feira, outros dois dirigentes do movimento foram presos após entrarem em uma área do centro da capital onde manifestações são proibidas e agitarem bandeiras da Índia. Eles foram colocados em detenção por pelo menos cinco dias.

Em resposta, Abhijeet Dipke convocou seus apoiadores para uma concentração na tarde desta sexta em uma praça do centro de Délhi. As autoridades, porém, determinaram o fechamento do local por "razões administrativas".

"Por que vocês têm tanto medo das Baratas?", questionou Dipke pouco antes de ser preso. "Quero dizer a Narendra Modi que não temos medo. Se balançar a bandeira da Índia nos leva à prisão, estamos prontos para isso", acrescentou.

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"Criar o caos"

A polícia advertiu que qualquer descumprimento das medidas impostas pelas autoridades "resultará em providências legais". Ao mesmo tempo, informou que permitiria a reunião de "algumas pessoas" em um "local apropriado". Milhares de policiais e um número semelhante de barricadas foram mobilizados nesta sexta-feira na região central da cidade.

O ministro da Defesa, Rajnath Singh, criticou os manifestantes, acusando-os de querer "destruir as instituições democráticas e criar o caos". "Eles não estão se mobilizando contra a reforma eleitoral, nem contra Gyanesh Kumar, nem pelo futuro dos jovens deste país", declarou à imprensa. "Estão se mobilizando para tomar o poder e instalar a anarquia."

Nos últimos dias, a controvérsia em torno da revisão das listas eleitorais transformou-se em um cabo de guerra entre o CJP, a oposição e o governo de Modi. Na segunda-feira, o líder da oposição no Parlamento e deputado do Partido do Congresso, Rahul Gandhi, liderou uma marcha com dezenas de milhares de pessoas na capital para protocolar junto à Suprema Corte um pedido de anulação da revisão eleitoral.

Iniciado no ano passado para eliminar registros duplicados, pessoas falecidas e fraudes, o processo resultou, segundo levantamentos divulgados pela imprensa e pela oposição, na exclusão de 130 milhões de eleitores das listas.

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Os críticos afirmam que a medida atinge principalmente as minorias, especialmente os muçulmanos, favorecendo o Bharatiya Janata Party (BJP), de Narendra Modi. Para eles, isso lança dúvidas sobre as recentes vitórias do partido em eleições locais.

"A crise é séria", avaliou o analista político Ajoy Bose à AFP. "A maioria da opinião pública acredita que as eleições foram manipuladas", acrescentou. "E o governo está preocupado com a possibilidade de perder o apoio da classe média instruída, que está se mobilizando porque não enxerga perspectivas de futuro no país."

Com AFP

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