A Coreia do Norte inaugurou um museu militar para exibir seu arsenal, incluindo o míssil Hwaseong-20, visando consolidar a liderança de Kim Jong-un e atrair compradores como a Rússia. Paralelamente, o regime intensificou testes com mísseis hipersônicos e balísticos lançados do mar. A demonstração de força ocorre em meio a tensões com a Coreia do Sul e busca projetar poder antes da cúpula da APEC na China, onde um eventual encontro com Donald Trump pode ser articulado.
Célio Fioretti, correspondente em Seul
A Coreia do Norte é conhecida por suas ameaças militares e pelos frequentes testes de mísseis. É justamente esse poderio que o regime quer exibir com o novo museu de armamentos inaugurado no país.
A principal atração é o míssilHwaseong-20, teoricamente capaz de atingir os Estados Unidos. Ele está exposto ao lado de tanques e outras versões de mísseis.
O museu também pode funcionar como uma espécie de vitrine permanente para potenciais compradores, principalmente russos. Atualmente, mísseis norte-coreanos já são utilizados regularmente pelas forças russas na Ucrânia.
Há ainda um forte componente simbólico. As armas expostas foram desenvolvidas durante o governo de Kim Jong-un. O museu pode, assim, ajudar a consolidar na história oficial do regime os avanços do arsenal norte-coreano sob sua liderança, especialmente o desenvolvimento de armas nucleares, das quais o país não pretende abrir mão.
Multiplicação dos testes de mísseis
O regime intensificou os testes de mísseis nos últimos dias. No começo de outubro testou dois mísseis classificados como hipersônicos, capazes de voar a mais de cinco vezes a velocidade do som sendo, portanto, mais difíceis de serem interceptados.
Na segunda-feira (12), lançou uma série de mísseis menores, em resposta a um teste de míssil hipersônico realizado pela Coreia do Sul.
O teste mais recente ocorreu dois dias depois: um míssil balístico foi lançado a partir do mar, possivelmente de um submarino ou de uma plataforma submersa. O regime não informou de onde exatamente o míssil foi disparado, mas afirmou que ele poderia receber uma ogiva nuclear.
O objetivo é demonstrar que a Coreia do Norte pode atingir seus adversários a diferentes distâncias, por diferentes meios e, sobretudo, a partir de diferentes pontos.
Exibir força antes de cúpula na China
A multiplicação dos testes tem dois objetivos. O primeiro é mostrar força em meio às tensões entre as duas Coreias, que aumentaram depois que uma mina norte-coreana feriu três militares sul-coreanos na fronteira.
O segundo é reforçar a presença da Coreia do Norte antes da cúpula da APEC, prevista para novembro, na China.
Os presidentes da China, da Coreia do Sul e dos Estados Unidos devem participar do encontro. Donald Trump já manifestou várias vezes o desejo de se reunir com Kim Jong-un, o que poderia ocorrer durante a cúpula, caso o líder norte-coreano seja convidado.