Colonos israelenses queimam oliveiras e ferem jornalista em ataque na Cisjordânia

16 out 2026 - 11h16
Resumo
Dezenas de colonos israelenses mascarados atacaram palestinos durante a colheita de azeitonas em Abu Falah, na Cisjordânia, queimando árvores e atirando pedras. Forças militares de Israel intervieram usando gás lacrimogêneo e efetuando disparos. A ação violenta deixou ao menos duas pessoas feridas, incluindo a fotojornalista Heidi Levine, do Washington Post, que foi agredida e hospitalizada. O exército israelense classificou os ataques contra civis inocentes como graves e inaceitáveis.

Vestidos ‌de preto e com os rostos mascarados, dezenas de colonos israelenses militantes queimaram oliveiras e atiraram pedras contra palestinos em um ataque coordenado na sexta-feira durante a colheita anual de uma vila da Cisjordânia que deixou pelo menos duas pessoas feridas, incluindo uma jornalista.

Cerca de 80 colonos, alguns deles carregando botijões de gás, ⁠desceram de uma colina acima de um olival onde moradores de Abu Falah haviam ‌se reunido para colher frutos maduros, uma tradição anual muito apreciada na vida palestina, segundo testemunhas da Reuters.

Publicidade

Os colonos posicionaram-se diante dos terraços cultivados com oliveiras. ‌Alguns deles usaram fundas para lançar pedras contra ‌os moradores palestinos, que desceram em direção à base da colina, onde ⁠pegaram pedras e as arremessaram para se defender.

"Os colonos querem nos atacar e nos expulsar de nossas casas", disse Moutaz Abdelhadi, de 42 anos, um agricultor que testemunhou o ataque em Abu Falah.

No meio do ataque, pelo menos dois jipes militares israelenses passaram em alta velocidade pela área, levantando poeira enquanto os moradores corriam ‌para se afastar.

O ataque continuou após a chegada dos militares, com soldados israelenses disparando ‌gás lacrimogêneo na direção ⁠dos palestinos que haviam ⁠se esquivado dos jipes. O som de tiros reais podia ser ouvido na região, e ⁠um fotógrafo da Reuters viu pelo menos ‌um colono armado disparar uma ‌arma.

Publicidade

Em comunicado, as forças militares de Israel informaram que soldados e policiais de fronteira dispararam o que descreveram como tiros de advertência após se posicionarem na área e, em determinado momento, também efetuaram disparos na direção de ⁠uma pessoa que, segundo as tropas, representava uma ameaça.

"Tentativas de incitar atritos entre populações comprometem a segurança na região", afirmaram as Forças Armadas. "Ataques e atos de violência contra civis inocentes são graves e inaceitáveis."

Médicos palestinos informaram que duas pessoas ficaram feridas e foram levadas a hospitais na ‌região de Ramallah. Uma delas era Heidi Levine, fotojornalista do Washington Post. Um vídeo do ataque mostrava Levine deitada de lado em uma trilha de terra, ⁠com as mãos sobre o rosto, enquanto pelo menos três colonos a cercavam.

Falando mais tarde de uma cama de hospital, Levine, que se encontra em estado estável, disse: "Fui atacada, empurrada ao chão. Felizmente, eu estava usando meu colete à prova de balas e meu capacete; caso contrário, provavelmente nem estaria aqui, porque eles não paravam de me chutar, sem parar."

Publicidade

Levine disse que o ataque terminou quando seus colegas palestinos intervieram. Em seguida, os paramédicos a levaram às pressas em uma ambulância para uma clínica em Abu Falah e, depois, para um hospital em Ramallah.

Sua voz tremia enquanto falava e ela tinha curativos na mão esquerda.

O Washington Post não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se