Morte de soldado francês no Iraque expõe papel da França no conflito no Oriente Médio

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou na madrugada desta sexta-feira (13) a morte de um militar francês em um ataque na região de Erbil, no Curdistão iraquiano, área onde tropas da França atuam desde 2015 no combate ao grupo Estado Islâmico. O atentado ocorre em um momento de crescente tensão no Oriente Médio, com a guerra no Irã ampliando o risco de ataques contra bases estrangeiras na região.

13 mar 2026 - 07h54
(atualizado às 11h06)

Desde o começo da guerra no Oriente Médio, a região autônoma do Curdistão tem sido alvo de ataques atribuídos a facções pró-Irã, em sua maioria neutralizados pela defesa aérea. Na quinta-feira (12), seis soldados franceses ficaram feridos em um desses ataques com drone, segundo o quartel-general militar francês. As autoridades explicaram que esses soldados estavam "participando de treinamento antiterrorista com parceiros iraquianos".

Um combatente curdo, membro da Organização de Luta do Curdistão Iraniano (Sazmani Khabat), guarda o portão de sua base perto de Erbil, na região autônoma curda do norte do Iraque, em 9 de março de 2026. No contexto de uma coalizão internacional antijihadista liderada pelos Estados Unidos, militares de vários países, incluindo a França e a Itália, estão treinando membros das forças de segurança curdas no Curdistão iraquiano.
Um combatente curdo, membro da Organização de Luta do Curdistão Iraniano (Sazmani Khabat), guarda o portão de sua base perto de Erbil, na região autônoma curda do norte do Iraque, em 9 de março de 2026. No contexto de uma coalizão internacional antijihadista liderada pelos Estados Unidos, militares de vários países, incluindo a França e a Itália, estão treinando membros das forças de segurança curdas no Curdistão iraquiano.
Foto: AFP - OZAN KOSE / RFI

Segundo o governador de Erbil, o ataque que feriu os militares franceses envolveu dois drones e ocorreu em uma base localizada em Mala Qara, a cerca de 40 quilômetros a sudoeste de Erbil.

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O presidente francês explicou que a presença de tropas francesas no Iraque "está estritamente inserida no âmbito da luta contra o terrorismo". Arnaud Frion foi o primeiro soldado francês morto desde o começo da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro.

Macron confirmou a morte no X e especificou que outros militares franceses ficaram feridos. "O suboficial Arnaud Frion, do 7º Batalhão de Caçadores Alpinos de Varces, morreu lutando pela França durante um ataque na região de Erbil, no Iraque", escreveu. "Esse ataque contra nossas forças, comprometidas desde 2015 com a luta contra o Estado Islâmico, é inaceitável", criticou o presidente. "A guerra no Irã não pode justificar tais ataques", acrescentou.

O grupo armado pró-Irã Asaib al-Kahf anunciou nesta sexta-feira, pelo Telegram, que atacaria "todos os interesses franceses no Iraque e na região", especialmente após o envio do porta-aviões francês Charles de Gaulle para o Golfo Pérsico. O grupo orientou os moradores a permanecerem a pelo menos 500 metros de distância de uma base no Curdistão iraquiano que abriga tropas francesas, sem reivindicar diretamente a responsabilidade por qualquer ataque.

Treinamento de forças curdas

No contexto de uma coalizão internacional antijihadista liderada pelos Estados Unidos, militares de vários países, incluindo a França e a Itália, estão treinando membros das forças de segurança curdas no Curdistão iraquiano.

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Além disso, a presença das tropas francesas na região tem como objetivo "reabrir" o Estreito de Ormuz e garantir o fluxo de petróleo e gás, conforme declarou Macron, na segunda-feira (9), em visita ao Chipre. Na ocasião, o líder francês disse que está preparando uma futura missão internacional "puramente defensiva". Segundo ele, a operação fará parte de um amplo destacamento militar francês relacionado ao conflito no Oriente Médio.

Além da França, Itália e Espanha enviaram fragatas para a região.

"Cumplicidade europeia"

Em sua primeira mensagem desde sua eleição, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, declarou que o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do comércio mundial de petróleo, deve permanecer fechado para pressionar os Estados Unidos e Israel.

Na quinta-feira, o Ministério iraniano das Relações Exteriores acusou a União Europeia (UE) de "cumplicidade" nos ataques que atingiram o país.

Em publicação no X, o porta-voz do ministério, Esmaïl Baghaï, afirmou que "a indiferença e o consentimento da União Europeia diante da agressão, da brutalidade e das atrocidades cometidas pelos Estados Unidos e Israel não se assemelham a nada além de cumplicidade".

Com AFP

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