Míssil iraniano atinge prédio residencial em Israel, enquanto Trump insulta Teerã

Um míssil iraniano atingiu diretamente um prédio em Haifa, no norte de Israel, neste domingo (5), ferindo pelo menos quatro pessoas. Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, proferiu insultos contra Teerã e adiou o ultimato que deu para o regime reabrir o Estreito de Ormuz, fechado desde o início da guerra no Oriente Médio.

5 abr 2026 - 16h06

Em Israel, quatro pessoas, incluindo um bebê, ficaram feridas e outras três estão desaparecidas após o prédio onde estavam ter sido atingido "por um ataque direto de míssil", informou o exército israelense. Um idoso de cerca de 80 anos foi retirado dos escombros e está em estado grave.

"Moradores nos disseram que havia pessoas feridas presas sob os escombros nos andares inferiores", disse Shevach Rothenshtrych, um dos socorristas da Magen David Adom (MDA), equivalente israelense da Cruz Vermelha.

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Em Teerã, o presidente do Parlamento iraniano alertou o presidente dos EUA, Donald Trump, que toda a região "vai queimar" por causa dele.

"Suas ações imprudentes estão arrastando os Estados Unidos para um inferno na Terra para todas as famílias, e toda a nossa região queimará porque você insiste em seguir as ordens de Netanyahu", escreveu Mohammad Bagher Ghalibaf em uma mensagem publicada em inglês na rede social X, em referência ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aliado dos EUA na guerra.

"A única solução real é respeitar os direitos do povo iraniano e acabar com esse jogo perigoso", acrescentou Ghalibaf.

Novas ameaças e insultos de Trump 

Ghalibaf respondia a mais uma ameaça de Trump, feita neste domingo, recheada de insultos ao Irã e palavrões. Em sua rede social Truth Social, o presidente ameaçou atacar usinas de energia e pontes iranianas na terça-feira, um dia depois do que havia prometido, caso o Irã não reabra o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto dos hidrocarbonetos do mundo.

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"Abram a porcaria do estreito, seus lunáticos, ou vocês vão viver no inferno - vocês verão!", escreveu Trump, acrescentando: "Glória a Alá".

No dia anterior, o bilionário republicano havia dado um ultimato, até segunda-feira às 20h, horário de Washington, "antes que eu desencadeie o inferno". Mas, em uma entrevista a um jornalista da Fox News no domingo, ele mencionou uma "boa chance" de se chegar a um acordo com o Irã.

"Terça-feira, 20h, horário do leste dos EUA!", escreveu ele simplesmente em sua plataforma. No final de março, o presidente dos EUA já havia adiado seu ultimato por 10 dias, que expiraria nesta segunda-feira (6).

"Acho que há uma boa chance amanhã" de termos um acordo, afirmou Trump durante uma entrevista por telefone. Ele acrescentou que, sem um acordo, "vocês verão pontes e usinas de energia desabando por todo o país".

Segundo o presidente, as negociações não dizem respeito ao potencial desenvolvimento de uma arma nuclear pelo Irã, já que Teerã teria abandonado essa ideia. "O importante é que eles não terão armas nucleares. Eles nem estão negociando sobre isso. É muito simples. Já foi concedido. A maioria das questões já foi concedida", explicou ele.

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"Estamos em uma posição muito forte, e este país precisará de 20 anos para se reconstruir, se tiver sorte, se ainda tiver um país", acrescentou ele em outra entrevista, ao Wall Street Journal. "Se eles não fizerem algo até terça-feira à noite, não terão mais usinas de energia e não terão mais pontes de pé."

Rússia pede para EUA 'abandonarem ultimatos'

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, pediu para os Estados Unidos "abandonarem a linguagem dos ultimatos" para facilitar um "retorno às negociações". Ele conversou por telefone com seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi.

"O lado russo expressou a esperança de que os esforços empreendidos por diversos países para atenuar as tensões em torno do Irã sejam bem-sucedidos, (...) o que seria facilitado se os Estados Unidos abandonassem a linguagem de ultimatos e retomassem as negociações", relatou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, em um comunicado sobre o telefonema.

Os dois ministros também pediram o fim dos "ataques imprudentes e ilegais contra instalações de infraestrutura civil", incluindo a usina nuclear de Bushehr, onde trabalham funcionários russos.

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A Rússia evacuou mais 198 funcionários no sábado (4), após outro ataque aéreo conjunto EUA‑Israel na região ao redor da usina, que Moscou condenou "veementemente". A Rússia contribuiu para a construção da usina, e técnicos russos auxiliam em sua operação.

Esforços diplomáticos

Por trás da retórica inflamada, os esforços diplomáticos continuam: Omã, localizado em frente ao Irã, no Estreito de Ormuz, afirmou ter discutido a reabertura do estreito com Teerã, enquanto o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, conversou por telefone com seus homólogos do Paquistão e do Egito, que atuam como mediadores.

Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, declararam-se prontos para "se juntar" a qualquer esforço liderado pelos Estados Unidos para reabrir essa via navegável estratégica. Enquanto a quase paralisação do estreito faz os preços do petróleo dispararem, a Rússia, a Arábia Saudita e outros seis membros da OPEP+ anunciaram um novo aumento em suas cotas de produção.

Neste 37º dia da guerra, Israel também desafiou os líderes iranianos e continuou seus ataques no Líbano, matando pelo menos 11 pessoas.

Com AFP

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