Milhares de alemães pedem paz em marchas de Páscoa

5 abr 2026 - 17h02

Tradição no país desde a década de 60, marchas de Páscoa deste ano tiveram como foco guerras no Irã, Gaza e Líbano, além de críticas à nova lei de alistamento militar na Alemanha.Milhares de pessoas em toda a Alemanha participaram neste fim de semana de cerca de 70 marchas de Páscoa em todo o país para pedir paz, uma tradição que remonta à década de 60.

Manifestantes pedindo paz em Berlim
Manifestantes pedindo paz em Berlim
Foto: DW / Deutsche Welle

Cerca de cem eventos do tipo estão planejados até a segunda-feira de Páscoa, de acordo com o grupo ativista Netwerk Friedenskooperative (Rede Cooperativa para a Paz), sediado em Bonn, que coordena as marchas.

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Entre as cidades que recebem as marchas pacifistas de Páscoa estão Munique, Bremen, Bonn, Duisuburg, Düren, Berlim, Leipzig, Bremen, Colônia e Stuttgart.

As marchas começaram na quinta-feira (02/04) e continuarão até segunda-feira (06/04), o último dia do feriadão de Páscoa na Alemanha.

"É importante que tantas pessoas saiam às ruas pela paz. Porque os problemas não estão diminuindo, muito pelo contrário. Em quase 40 anos de trabalho nas Marchas da Páscoa, nunca vi tantas crises no mundo durante a Páscoa. Isso me faz refletir bastante, mas também mostra a importância do compromisso com a paz", disse Kristian Golla, que lidera o trabalho das Marchas da Páscoa na Rede Cooperativa para a Paz desde o início da década de 1990.

Guerras no Oriente Médio

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Um tema dominante nas manifestações deste ano é a guerra no Irã, bem como a violência contínua em Israel, territórios palestinos e Líbano.

"O governo alemão deve se comprometer muito mais firmemente com a defesa e o respeito ao direito internacional, sem qualquer hipocrisia", disse Kristian Golla. "Os bombardeios e ataques com mísseis diários - seja no Líbano, Irã, Israel, Sudão ou Ucrânia - devem acabar. Exigimos inequivocamente: a Alemanha não deve participar da guerra contra o Irã, direta ou indiretamente. Qualquer apoio logístico para ataques militares por meio de bases americanas na Alemanha, como Ramstein, deve ser descartado. Além disso, o espaço aéreo alemão deve ser fechado para aeronaves militares americanas."

Em Berlim, mais de mil pessoas participaram de uma marcha no sábado (04/04), segundo a polícia. Alguns dos slogans dos manifestantes incluiam "Direito internacional em vez da lei da força" e "Abaixo todas as armas nucleares", mas também pedidos mais atuais como "Mãos fora do Irã, Cuba e Venezuela" e a exigência do fechamento de todas as bases militares americanas na Alemanha.

De acordo com a polícia, cerca de 800 manifestantes participaram de outra marcha em Bremen no sábado. Outras 550 pessoas participaram em Munique, 500 em Wiesbaden e Fulda, 450 em Augsburg e 350 em Duisburg. Em Unterlüss, cerca de 150 pessoas marcharam até os portões de uma fábrica da empresa de armamentos Rheinmetall.

Temas das marcha de 2026

As manifestações, listadas no site da rede, incluem desde passeios batizados "Bicicletas pela Paz" a concertos e encontros que duram a tarde toda com discursos sobre as guerras no Irã, em Gaza e na Ucrânia, violência na Síria, bem como direitos humanos e justiça climática.

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Em 2025, mais de 40.000 pessoas participaram das marchas de Páscoa, um número significativamente maior do que nos anos anteriores. O balanço de 2026 ainda não foi concluído. Entre 2022 e 2024, os conflitos na Ucrânia e Gaza foram temas dominantes.

Em 2026, algumas das marchas também abordam a reforma da lei do serviço militar promovida pelo governo alemão, que estipula que desde o início do ano, todos os jovens de 18 anos vão receber um questionário das Forças Armadas alemãs para avaliar sua "motivação e aptidão" para o alistamento. Os jovens do sexo masculino são obrigados a preencher o formulário, enquanto as mulheres — isentas do serviço militar obrigatório pela Constituição — podem fazê-lo voluntariamente.

Vários jovens, temerosos que a reforma abra a porta para a volta do serviço militar obrigatório, estão discursando nas marchas. "Os jovens não devem, em hipótese alguma, ser forçados a servir nas forças armadas. Rejeitamos categoricamente todos os planos para um novo sistema de recrutamento", disse Kristian Golla.

Em 2025, mais de 40.000 pessoas participaram das marchas da Páscoa, um número significativamente maior do que nos anos anteriores. O balanço de 2026 ainda não foi elaborado.

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Inspiradas por protestos contra uma instalação de pesquisa de armas nucleares no Reino Unido, as marchas antiguerra de Páscoa iniciaram-se na Alemanha em 1958, com uma manifestação em Hamburgo.

Os eventos alcançaram um pico de participação entre 1968 e 1983, quando levaram centenas de milhares às ruas da Alemanha Ocidental, a cada ano, para protestar especialmente contra a presença de armas nucleares na Europa.

jps (dpa, DW, ots)

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