Missão da ONU vê indícios de que EUA cometeram crimes de guerra e Irã crimes contra a humanidade

17 set 2026 - 08h49
(atualizado às 09h31)
Resumo
Uma missão da ONU concluiu que os EUA cometeram crimes de guerra ao realizar ataques militares indiscriminados contra uma escola e um centro esportivo no Irã em fevereiro, resultando em dezenas de mortes civis, incluindo crianças. Paralelamente, o relatório acusou o governo iraniano de crimes contra a humanidade devido à violenta repressão a protestos populares iniciados em dezembro, marcada por assassinatos, torturas e detenções ilegais de opositores em escala sem precedentes no país.

Uma missão de apuração da ONU sobre o Irã ‌afirmou nesta quinta-feira que tem motivos razoáveis para acreditar que os Estados Unidos estavam por trás de dois ataques militares contra uma escola e um complexo esportivo no Irã em fevereiro, e que esses ataques constituíram crimes de guerra.

A missão também alegou que as autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade durante a repressão mortal aos protestos antigovernamentais.

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As conclusões de um novo relatório da Missão Internacional Independente de Investigação sobre o Irã, a ser apresentado ao Conselho de Direitos ⁠Humanos da ONU em Genebra, examinaram a conduta dos EUA durante a guerra no Irã, que teve início em fevereiro, ‌e a resposta do governo iraniano aos distúrbios em todo o país que começaram no final de dezembro.

As missões permanentes do Irã e dos EUA em Genebra não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

Autoridades norte-americanas já haviam ‌afirmado anteriormente que as operações militares são conduzidas de acordo com o ‌direito dos conflitos armados, enquanto o Irã tem rejeitado consistentemente as alegações de violações sistemáticas de direitos.

ATAQUE ⁠A ESCOLA DE MINAB

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Os especialistas da ONU disseram ter encontrado motivos razoáveis para acreditar que as forças norte-americanas foram responsáveis por um ataque à Escola Primária Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, onde mais de 150 pessoas foram mortas, incluindo cerca de 120 crianças em idade escolar, segundo autoridades iranianas.

A ação constituiu um ataque indiscriminado que causou mortes de civis e danos à infraestrutura civil, o que equivale a um crime de guerra segundo o direito internacional, concluiu a missão.

De ‌acordo com o relatório, o fato de os EUA não terem atualizado as informações relativas à escola — que ficava ao ‌lado de um complexo naval da Guarda ⁠Revolucionária Islâmica — em seus bancos ⁠de dados de alvos, nem terem confirmado que o prédio era um objetivo militar, constituiu mais do que mera negligência.

"Pelo contrário, os ⁠EUA direcionaram os ataques ao prédio da escola, estando cientes de ‌um risco substancial de atingir um alvo ‌civil e agindo de forma imprudente em relação à possibilidade de que isso ocorresse."

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Em junho, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que "ninguém" atacou propositalmente uma escola para meninas no Irã em fevereiro, citando uma investigação sobre o incidente. A Reuters foi a primeira a noticiar que uma investigação interna inicial das Forças Armadas dos ⁠EUA indicava que as forças norte-americanas provavelmente eram responsáveis pelo ataque fatal em Minab, no sul do Irã.

Desde então, o Pentágono ampliou a investigação, mas não publicou nenhuma conclusão preliminar.

Especialistas da ONU afirmaram que a escola era um alvo civil claramente identificável e não encontraram evidências de que estivesse sendo usada para fins militares.

Os especialistas chegaram a uma conclusão semelhante em relação a um ataque a um centro esportivo ‌em Lamerd. O relatório indicou que o ataque danificou prédios residenciais próximos e uma escola, além de ter matado e ferido 22 civis. Concluiu-se que o ataque foi indiscriminado e, portanto, constituiu um crime de guerra.

O Comando Central ⁠dos EUA declarou, em comunicado divulgado em março, que as forças norte-americanas não realizaram nenhum ataque à cidade de Lamerd naquele dia.

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ABUSOS NO IRÃ

A investigação da missão da ONU constatou que as autoridades iranianas realizaram um ataque generalizado e sistemático contra civis durante os protestos que eclodiram no final de dezembro do ano passado, envolvendo mortes ilegais, tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e severas restrições à liberdade de expressão.

Grupos de direitos humanos afirmam que havia transeuntes entre as vítimas fatais durante a maior repressão desde que clérigos muçulmanos xiitas assumiram o poder na revolução de 1979. Teerã atribuiu a culpa a "terroristas e manifestantes violentos" apoiados por opositores exilados e inimigos estrangeiros, como EUA e Israel.

A investigação afirmou que não foi possível verificar de forma independente o número de mortos, mas que acredita que o número de mortos e feridos provavelmente seja muito superior aos números oficiais, que indicam 3.038 mortos e 25.000 feridos.

A resposta do governo aos protestos — incluindo violência e assassinatos, o bloqueio da internet e o uso da pena de morte — marcou uma escalada significativa em relação aos padrões anteriores de repressão à dissidência, segundo o relatório.

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