Pelo segundo ano consecutivo, os Estados Unidos negaram o visto de entrada ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, impedindo sua ida à Assembleia Geral da ONU. Washington justificou a sanção contra autoridades palestinas por tentativas de internacionalizar o conflito com Israel em tribunais. A Autoridade Palestina criticou a medida, afirmando que ela prejudica a busca pela paz e a solução de dois Estados. Diante do veto, a ONU deve autorizar Abbas a discursar por videoconferência.
Os EUA negaram ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, um visto de entrada para participar da Assembleia Geral da ONU em Nova York na próxima semana, prorrogando uma proibição em vigor desde o ano passado, afirmou na quinta-feira uma autoridade palestina a par do assunto.
Sem citar nomes específicos, o Departamento de Estado informou na quarta-feira que prorrogaria as sanções de visto contra autoridades palestinas devido a ações que tomaram para "internacionalizar o conflito israelo-palestino", incluindo a apresentação de ações contra Israel em tribunais internacionais.
É o segundo ano consecutivo que o governo do presidente Donald Trump impede Abbas de discursar pessoalmente perante a reunião de líderes mundiais, onde, no ano passado, vários aliados dos EUA reconheceram a Palestina como um Estado.
A Assembleia Geral das Nações Unidas, composta por 193 membros, deve votar ainda nesta quinta-feira para permitir que Abbas envie uma declaração em vídeo para o encontro anual na próxima semana. Abbas se dirigiu à reunião de alto nível da Assembleia Geral por vídeo em setembro passado.
A autoridade palestina, que falou sob condição de anonimato, confirmou que o visto de Abbas havia sido negado.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Autoridade Palestina descreveu a medida como contrária ao "desenvolvimento das relações entre a Palestina e os EUA e à criação do clima político necessário para implementar a solução de dois Estados e alcançar a paz e a estabilidade na região".
Autoridades palestinas afirmam que décadas de negociações mediadas pelos EUA não conseguiram pôr fim à ocupação israelense nem garantir um Estado palestino independente.
Sob um "acordo de sede" da ONU de 1947, os EUA são, em geral, obrigados a permitir o acesso de diplomatas estrangeiros à ONU em Nova York. No entanto, Washington afirma que pode negar vistos por motivos de segurança, extremismo e política externa.