"UE e Canadá são mais fortes juntos", diz premiê canadense após Trump criticar aliança com UE

17 set 2026 - 09h35
Resumo
O premiê do Canadá defendeu aprofundar laços e acolheu a proposta de associação à União Europeia para garantir resiliência econômica, democrática e cooperação estratégica em áreas como defesa e energia. A aproximação ocorre sob forte pressão de Donald Trump, que classificou o plano como ridículo e ameaçou aplicar pesadas tarifas comerciais contra a Europa caso considere a aliança um ato hostil. A Comissão Europeia, por sua vez, negou qualquer hostilidade, reforçando o foco no fortalecimento mútuo.

O primeiro-ministro do ‌Canadá, Mark Carney, acolheu com satisfação, nesta quinta-feira, a proposta de se tornar um "membro associado" da União Europeia, afirmando que a Europa e o Canadá são mais fortes juntos e devem aprofundar seus laços para proteger a prosperidade de seus cidadãos.

Horas antes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia ridicularizado as propostas da presidente ⁠da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chamando-as de "ridículas", e afirmou que imporia novas ‌tarifas à Europa caso considerasse a proposta hostil.

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"A Europa e o Canadá são fortes individualmente. A Europa e o Canadá são ainda mais fortes juntos", disse Carney ‌aos parlamentares da UE em Estrasburgo.

"Não estou propondo ‌um terceiro bloco para nos tornarmos uma potência rival — apenas com melhores ⁠maneiras", continuou ele. "Não buscamos poder para dominar os outros. Pelo contrário, buscamos resiliência para que ninguém possa controlar nossos mercados abertos, prejudicar nossa soberania, ameaçar nossa integridade territorial ou minar nossas liberdades, nossas democracias e nosso Estado de Direito."

Tanto a UE quanto o Canadá têm enfrentado forte rivalidade e pressão do governo Trump em questões comerciais, ‌entre outros assuntos, como uma China cada vez mais assertiva.

Trump ameaçou na noite de ‌quarta-feira tomar medidas contra a ⁠UE caso ela ⁠leve adiante a proposta de Von der Leyen de adesão associada do Canadá.

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"Se eles fizerem isso, ⁠se eu achar que é um ato ‌hostil, imporei tarifas muito pesadas ‌ou interromperei o comércio com a Europa em muitos setores", disse Trump a repórteres a caminho de um evento na Carolina do Norte, chamando a proposta de "ridícula".

"Se for uma boa intenção, tudo bem. Se for uma má intenção, vamos ⁠impor tarifas muito pesadas à Europa", acrescentou.

A Comissão Europeia afirmou que a proposta de Von der Leyen — que ainda precisa ser detalhada e terá de ser aprovada pelos Estados-membros da UE para seguir adiante — não constitui um ato hostil.

"Como nossa presidente (Von der Leyen) deixou claro ontem, o ‌fortalecimento proposto de nossa parceria com o Canadá não é contra ninguém, mas em prol de nossa força comum", disse Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia.

Ao discursar ⁠no Parlamento Europeu, Carney deixou claro que, assim como a UE, ele busca laços mais profundos.

"Não somos aliados apenas nos momentos bons", disse ele. "Acreditamos que nossa prosperidade cresce quando é compartilhada."

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"O objetivo não é a autossuficiência. É a resiliência coletiva", disse ele. E, referindo-se à proposta de Von der Leyen, acrescentou: "Acolhemos com satisfação essa ambição."

Entre as áreas nas quais, segundo ele, o Canadá gostaria de estreitar laços com a UE, estão a busca por autonomia estratégica por meio de cooperação profunda em minerais críticos, capacidade industrial de defesa, inteligência artificial e computação, segurança energética, espaço e pagamentos.

Ele também mencionou o comércio digital e a construção de conexões de banda larga mais seguras entre a Europa e a Ásia por meio de sua geografia comum.

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