Merz, da Alemanha, aventa possibilidade de acordo comercial UE-Índia até o final de janeiro

12 jan 2026 - 09h27

O chanceler alemão Friedrich Merz aventou a possibilidade de a União Europeia e a Índia assinarem um acordo de livre comércio já no final deste mês, após se encontrar com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi nesta segunda-feira.

Os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu viajarão ‌para a Índia no final de janeiro para assinar o acordo, se ele for finalizado até lá, disse Merz durante uma visita à ‌cidade de Ahmedabad, no oeste da Índia.

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"De qualquer forma, eles darão mais um passo importante para garantir que esse acordo de livre comércio se concretize", disse Merz durante sua primeira viagem à Índia desde que se tornou chanceler.

Para a UE, a assinatura de um acordo com a Índia seguiria o avanço obtido na sexta-feira para a conclusão de um acordo com o Mercosul e marcaria mais um passo ‍na criação de suas próprias redes comerciais conforme os EUA reconfiguram o comércio global, ajudando também a reduzir a dependência da China.

Anteriormente, esperava-se que as negociações UE-Índia fossem concluídas até o final deste ano. Entretanto, de acordo com fontes do governo alemão, há grandes expectativas de que um acordo possa ser assinado no final de janeiro, após conversas "muito intensas" entre Merz ‌e Modi.

O ministro do Comércio da Índia, Piyush Goyal, falando em um evento separado no estado ‌ocidental de Gujarat, disse que um acordo está perto dos estágios finais.

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"RENASCIMENTO DO PROTECIONISMO INFELIZ"

Merz disse que o mundo está passando por "um renascimento do protecionismo infeliz" que prejudica a Alemanha e a Índia.

Ele não citou nenhum país. Os Estados Unidos (EUA) têm pressionado a Índia com tarifas para acabar com suas compras de petróleo e gás russos, que, segundo Washington e a União Europeia, são usados para financiar a guerra na Ucrânia.

Os controles de exportação chineses sobre minerais usados em áreas como automóveis causaram meses de interrupção da cadeia de suprimentos no ano em meio à guerra comercial entre EUA e China, afetando as montadoras alemãs.

Pequim também impôs restrições a alguns semicondutores amplamente utilizados na indústria automobilística após decisão do governo holandês de assumir o controle da Nexperia, fabricante de chips de propriedade chinesa.

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Em particular, a Alemanha quer trabalhar mais de perto em questões de segurança com a Índia para reduzir a dependência desta última em relação à Rússia, disse Merz.

Os países assinaram um memorando de entendimento para esse fim, além de acordos sobre minerais essenciais, o setor de saúde e um centro de inovação de inteligência artificial.

"Os memorandos de entendimento que estão sendo assinados hoje sobre todas essas questões darão um novo impulso e força à nossa cooperação", disse Modi em uma coletiva de imprensa conjunta com Merz.

A Índia ainda trabalha em estreita colaboração com a Rússia na política de segurança, e grande parte de seu equipamento militar é fabricado ‌na Rússia. O país também é um dos maiores compradores de gás e petróleo russos, ao lado da China.

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A Alemanha está pressionando o governo indiano para garantir que ele impeça as empresas indianas de contornar as sanções contra a Rússia e reduza suas importações de energia da Rússia - exigências que a Índia tem rejeitado até agora.

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