A ex-chanceler Angela Merkel declarou estar em choque e chamou de "fratura histórica" a vitória inédita do partido de extrema direita AfD, que obteve 43,8% dos votos nas eleições da Saxônia-Anhalt. O resultado pode levar a legenda ao poder estadual pela primeira vez desde a era nazista. A CDU, partido de Merkel hoje liderado por Friedrich Merz, sofreu sua pior derrota em décadas com 17,2%. Diante da crise, Merz prometeu reformas profundas para tentar conter o avanço da ultradireita no país.
A ex-chanceler da Alemanha Angela Merkel classificou como "simplesmente chocante" a vitória da extrema direita nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt.
"Como membro da CDU [União Democrata Cristã], meu coração está partido", disse Merkel, que governou o país de 2005 a 2021, durante uma feira de tecnologia em Colônia. "Trata-se de uma fratura, uma verdadeira fratura na história da República Federal da Alemanha", acrescentou.
O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou 43,8% dos votos na Saxônia-Anhalt, enquanto a CDU, liderada pelo impopular chanceler Friedrich Merz, ficou com 17,2%, metade do resultado obtido na eleição anterior, em 2021.
Com isso, a AfD pode levar a extrema direita a um governo estadual no país pela primeira vez desde o fim da era nazista, embora ainda precise negociar uma coalizão para assegurar maioria no Parlamento estadual.
A principal candidata a se aliar à AfD é a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), sigla populista que combina visões de esquerda na economia e conservadoras em temas sociais.
Merkel sempre defendeu o "cordão sanitário" imposto pelos outros partidos à AfD, mas essa política está sob pressão dentro da própria CDU. Enquanto isso, Merz reconheceu que seu partido sofreu a "derrota eleitoral mais devastadora em décadas" e prometeu reformas profundas para "restabelecer o contato com as pessoas" e frear o avanço da ultradireita.