A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciou a suspensão de débitos para nações africanas afetadas por eventos climáticos extremos. A declaração ocorreu durante sua participação na segunda cúpula entre seu país e a África, realizada nesta sexta-feira (13) na Etiópia.
Há dois anos "lançamos uma ampla iniciativa de conversão de dívidas para projetos de desenvolvimento conjunto. Hoje, estamos adicionando cláusulas de suspensão de débitos para as nações [africanas] afetadas por fenômenos meteorológicos extremos", disse Meloni em declaração conjunta com o presidente da Comissão da União Africana, Mohammed Ali Youssouf, e com o presidente da União Africana e chefe de Estado de Angola, João Lourenço.
No evento em Adis Abeba, a premiê abordou os resultados do Plano Mattei, uma iniciativa de seu governo lançada há dois anos para o desenvolvimento africano.
"Expandimos tanto o Plano Mattei que hoje ele não é mais visto como uma estratégia italiana, mas como uma sinergia de alcance internacional", afirmou Meloni, destacando que a proposta tem contribuído "de modo revolucionário" com a forma "de ver a África e de agir no continente".
Um dos objetivos primeiros da medida lançada pela Itália é estabelecer parcerias econômicas para fomentar diversos setores em países africanos, como energia, educação, saúde e agricultura.
Segundo Meloni, seu governo "não tem interesse em explorar a migração [africana] para garantir mão de obra barata para sistemas de produção italianos".
"Em vez disso, queremos abordar as causas profundas que levam tantos jovens a deixar os lugares onde nasceram e cresceram, impedindo-os de dar a contribuição que gostariam para o progresso e o desenvolvimento de suas nações. É uma escolha de responsabilidade compartilhada, não de conveniência de curto prazo", argumentou a europeia.
Para Lourenço, "o Plano Mattei prevê um investimento nas pessoas".
"Devemos investir na formação para garantir o emprego no nosso continente e evitar que os jovens atravessem o Mediterrâneo, arriscando suas vidas em busca de melhores oportunidades em outros lugares, que muitas vezes não encontram porque morrem no mar", falou o presidente da União Africana e de Angola.