A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, anunciou que apresentará um projeto de lei para limitar o número de alunos estrangeiros por turma e banir o uso de véus islâmicos, como a burca e o hijab, nas escolas. A medida prevê ainda exigir que pais imigrantes aprendam italiano para facilitar a integração. Durante o evento de seu partido, Meloni também defendeu mais rigor no ensino público, alertou a juventude sobre desinformação na era da IA e criticou a cultura de aparências nas redes.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciou neste domingo (20) que o governo pretende apresentar em breve ao Conselho de Ministros uma medida para estabelecer por lei um número máximo de alunos estrangeiros por turma e proibir o uso de burca e hijab nas escolas do país.
O anúncio foi feito durante o Fenix, evento da Gioventù Nazionale, ala jovem do partido Irmãos da Itália (FdI), liderado por Meloni.
Segundo a primeira-ministra, a medida também deverá obrigar pais de alunos estrangeiros com graves dificuldades de integração escolar a aprenderem italiano.
"Simplesmente não pode existir que, em uma sala de aula italiana, crianças italianas se sintam encurraladas por serem minoria. Isso não pode acontecer", afirmou Meloni.
A chefe de governo também anunciou uma mudança na nomenclatura do ensino técnico-profissional. Sua administração pretende revogar a legislação que estendeu o termo "liceo" a esse tipo de instituição.
De acordo com Meloni, a intenção é deixar claro que os diferentes percursos escolares têm igual valor.
Durante o discurso, ela também abordou os impactos da inteligência artificial e das redes sociais e alertou os jovens para a necessidade de distinguir informações verdadeiras de conteúdos falsos ou artificiais, especialmente durante períodos eleitorais.
"Não aceite automaticamente nada do que vir nos próximos meses, e especialmente nada do que vir nos últimos dias antes da próxima eleição geral", aconselhou.
Para Meloni, a capacidade de distinguir "o certo e o errado, o verdadeiro e o falso, o real e o artificial" será cada vez mais importante diante do avanço da inteligência artificial.
A premiê italiana destacou ainda que uma educação baseada apenas na memorização pode formar pessoas preparadas para tarefas que as máquinas conseguem executar, enquanto uma educação voltada ao desenvolvimento humano preservaria valores como livre-arbítrio, mérito, responsabilidade e verdade.
Além disso, criticou o que classificou como uma cultura baseada na busca por visibilidade nas redes sociais. Ao falar aos jovens de seu partido, contrapôs "aparecer" e "pertencer".
"Em uma época em que todos dizem que você precisa, antes de tudo, aparecer, você escolheu pertencer. São dois conceitos muito diferentes. Aparecer é rápido, pertencer leva tempo e exige sacrifício", afirmou.
Meloni também defendeu uma postura mais rigorosa no sistema educacional italiano. Segundo ela, as escolas precisam ser capazes de apontar erros e estabelecer limites aos estudantes, em vez de evitar críticas em nome de uma interpretação equivocada de respeito.
Desta forma, associou essa questão às desigualdades educacionais e afirmou que estudantes de famílias com menos recursos são os mais prejudicados quando as escolas públicas não conseguem oferecer uma formação adequada.
"Este foi o maior fracasso de 1968", declarou Meloni, referindo-se às transformações sociais e educacionais associadas aos movimentos daquele período.
De acordo com a premiê, uma revolução que pretendia construir "escolas para todos" acabou produzindo, em sua avaliação, um resultado contrário ao objetivo original.
Por fim, Meloni afirmou estar "imensamente orgulhosa" dos jovens presentes no evento e destacou a importância do engajamento político e da participação coletiva.