As autoridades do sul de Espanha retiraram as pessoas de áreas residenciais por temores de que um rio de grandes dimensões transbordasse e alertaram para a possibilidade de deslizamentos de terra nesta sexta-feira, após a tempestade Leonardo ter assolado a Península Ibérica.
Mais de 7.000 pessoas foram forçadas a deixar suas casas na região da Andaluzia até agora, em meio a uma série de tempestades consecutivas que atingiram Portugal e Espanha com chuvas torrenciais e ventos fortes nas últimas semanas.
A agência meteorológica estatal espanhola AEMET alertou que outra tempestade, Marta, atingirá a península no sábado, trazendo chuvas mais abundantes.
Várias áreas residenciais próximas ao leito do rio Guadalquivir, na província de Córdoba, foram esvaziadas durante a noite devido ao aumento dramático dos níveis de água.
RISCO DE DESLIZAMENTO DE TERRA
Também foram retirados os cerca de 1.500 moradores de Grazalema, vila montanhosa popular entre os caminhantes, pois a água penetrou pelas paredes das casas e escorreu pelas ruas íngremes de pedras.
"Não conseguimos dormir porque estamos muito estressados e ansiosos", disse a moradora Maria Fernandez, que teve que deixar sua casa, à emissora estatal TVE em um ginásio esportivo em Ronda, a cerca de 30km de distância, para onde os moradores foram levados.
O líder regional da Andaluzia, Juan Manuel Moreno, disse à estação de rádio SER que podem ocorrer deslizamentos de terra. Ele acrescentou que geólogos estão avaliando a situação em Grazalema para determinar quando os moradores poderão retornar às suas casas.
No sul de Portugal, grande parte da cidade de Alcácer do Sal, às margens do rio Sado, permaneceu semi-submersa pelo terceiro dia consecutivo.
"Fiquei sem nada, sem nada. Só guardei as roupas que estava usando", disse Rita Morgado, moradora de Alcácer, à Reuters, acrescentando que mais de 1.000 pessoas precisavam de ajuda.
Na segunda maior cidade de Portugal, Porto, o rio Douro transbordou na madrugada de sexta-feira, causando pequenas inundações nas áreas externas dos cafés e restaurantes que ficam próximos ao rio.
O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, disse na quinta-feira à noite que seu governo havia prorrogado o estado de calamidade em 69 municípios até meados de fevereiro, acrescentando que chuvas "sem precedentes" e riscos de enchentes ameaçam várias regiões.
O comandante do serviço de proteção civil de Portugal ANEPC, Mario Silvestre, disse que seis rios — incluindo o Tejo, que banha a capital Lisboa — corriam risco de inundações significativas.
A bacia hidrográfica do rio Tejo foi colocada em alerta vermelho na quinta-feira.