O plantio de árvores sempre foi tratado como uma espécie de remédio para combater a degradação ambiental. Mais árvores significariam menos CO₂ na atmosfera, solos mais protegidos e desertos contidos, mas nem sempre significam mais sustentabilidade. Dois dos maiores projetos de reflorestamento do planeta, um na China e outro na África, começaram a revelar um paradoxo que ninguém esperava: nem toda floresta salva o ambiente.
Na China, programas lançados nas últimas décadas para conter o avanço do Deserto de Gobi, reunidos sob o nome Grande Muralha Verde da China, ajudaram a capturar carbono e frear a areia, mas também alteraram o ciclo da água em regiões inteiras. Já na África, um projeto com nome parecido seguiu um caminho diferente: a Grande Muralha Verde africana surgiu quase como uma resposta a esse tipo de erro, priorizando o manejo sustentável da terra e a participação direta das comunidades locais, ao invés de monoculturas em larga escala.
A comparação entre as duas iniciativas mostra que, no combate às mudanças climáticas, não é o número de árvores que define o sucesso, mas a forma como são plantadas e integradas ao ambiente.
Reflorestamento na China conteve o deserto, mas secou o solo
Conter desertos é um dos maiores desafios ambientais enfrentados por países com grandes áreas áridas. No norte da China, o Deserto de Gobi, que há anos avança sobre cidades, áreas agrícolas e rotas comerciais, fez o país apostar no reflorestamento como uma política de Estado. A ideia ...
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