Líder de seita no Quênia é condenado a 200 anos de prisão por mortes de crianças por inanição

6 nov 2026 - 11h49
Resumo
O líder de seita queniano Paul Mackenzie foi condenado a 200 anos de prisão pela morte de 190 crianças por inanição, ordenadas a jejuar até o fim para "alcançar o paraíso". O massacre na Floresta de Shakahola soma cerca de 500 vítimas estimadas, que eram agredidas se tentassem comer. Outros 28 cúmplices pegaram de 10 a 160 anos de cadeia. A Justiça rejeitou a tese de inocência de Mackenzie, apontado por manipular seguidores vulneráveis. A defesa informou que recorrerá da decisão.

‌Um tribunal do Quênia condenou nesta sexta-feira o líder de seita Paul Mackenzie a 200 anos de prisão pelos assassinatos de 190 crianças que morreram de fome por ordem dele e foram enterradas em uma floresta, entre as 500 vítimas suspeitas de um dos massacres relacionados a seitas ⁠mais letais dos tempos modernos.

A sentença compreendeu 100 anos por homicídio por inanição ‌e 100 anos por homicídio doloso, disse a juíza Diana Kavedza ao ler o veredicto.

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Os promotores afirmaram que Mackenzie, que liderava uma igreja ‌cristã apocalíptica em uma floresta próxima à costa ‌do Oceano Índico, no leste do Quênia, ordenou que seus seguidores ⁠morressem de fome, juntamente com seus filhos, para alcançar o paraíso antes do fim do mundo.

Segundo a acusação, cúmplices ameaçavam e espancavam as vítimas para garantir o cumprimento das ordens. Corpos extremamente debilitados foram encontrados espalhados em covas rasas e despejados em latrinas. Algumas vítimas haviam sido enterradas vivas.

Mackenzie, ‌vestindo uma camisa polo cinza e calças pretas, não reagiu enquanto a juíza ‌lia sua sentença em ⁠uma tenda montada ⁠do lado de fora do tribunal onde a audiência foi realizada.

Ele havia negado as ⁠acusações de homicídio, alegando que não ‌forçou as vítimas a passar ‌fome. O tribunal rejeitou sua defesa.

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Vinte e oito cúmplices receberam penas que variam de 10 a 160 anos. Todos foram considerados culpados em um julgamento no mês passado.

O advogado de defesa Lawrence Obonyo, que ⁠representa Mackenzie e quase todos os demais condenados, disse que vai recorrer da decisão.

A juíza Kavedza afirmou que Mackenzie conquistou a confiança das vítimas por meio de sua presença carismática na mídia e, em seguida, escolheu como alvo seguidores indefesos e vulneráveis. ‌Aqueles que tentavam interromper o jejum eram espancados e amarrados, segundo ela.

"Crianças assistiram seus irmãos caírem mortos após passarem dias sem comer", disse. "Aqueles que ⁠roubavam comida ou água eram espancados, tinham as mãos amarradas e eram trancados em casas, transformadas em locais de jejum para que morressem."

O caso chocou o Quênia em abril de 2023, quando a polícia começou a encontrar corpos na Floresta de Shakahola, perto da cidade litorânea de Malindi.

Embora apenas os casos de 190 crianças e uma vítima adulta tenham sido abordados no julgamento, a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia afirma que 448 corpos foram encontrados na floresta.

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Mackenzie também é acusado de ordenar a morte de 52 pessoas encontradas em outro local, em uma vila a 30 km de distância, elevando o número total estimado de vítimas para 500. Ele se declarou inocente nesse caso.

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