"Israel ataca jornalistas deliberadamente para ocultar a verdade sobre seus crimes contra o Líbano", declarou o presidente Joseph Aoun, ao classificar o ataque como um "crime de guerra". O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, também afirmou que "atacar jornalistas e obstruir o acesso de equipes de resgate constitui um crime de guerra" e garantiu que o país levará o caso a instâncias internacionais.
As duas jornalistas haviam se refugiado em uma casa no município de al-Tiri após um carro próximo ao local onde elas estavam ser atingido por um bombardeio israelense. Segundo a Agência Nacional de Notícias (NNA), os dois ocupantes do veículo morreram. De acordo com a mesma fonte, as vítimas eram o prefeito de Bint Jbeil, ocupada por Israel, e um homem que o acompanhava.
Em seguida, outro ataque aéreo atingiu a casa onde as jornalistas estavam abrigadas. Os socorristas conseguiram retirar Zeinab Faraj do local, mas, segundo o Ministério da Saúde, a ambulância que a transportava foi alvo de novos bombardeios.
"Obstrução" de operação de resgate
As autoridades libanesas tiveram que acionar as forças de paz da ONU destacadas no sul do Líbano para concluir o resgate. Foram necessárias várias horas até que os socorristas pudessem acessar novamente a área e recuperar o corpo de Amal Khalil dos escombros.
O Ministério da Saúde acusou Israel, nesta quinta-feira, de ter "obstruído as operações de resgate" e de ter "atacado uma ambulância que ostentava claramente o símbolo da Cruz Vermelha".
O Exército israelense, por sua vez, afirmou ter atingido dois veículos na região de al-Tiri que transportavam "terroristas" que teriam "cruzado a linha de defesa avançada" de suas tropas no sul do Líbano. Israel diz ter estabelecido uma "linha amarela", ou linha de defesa avançada, no interior do sul do território libanês, onde suas tropas avançaram, e proibiu o retorno dos moradores.
O Exército israelense negou ter "impedido que equipes de resgate acessassem a área" e afirmou que "relatos indicam que dois jornalistas ficaram feridos nos ataques", acrescentando que o caso está "sob investigação".
O ataque aconteceu apesar do cessar-fogo, em vigor desde 17 de abril entre Israel e o Hezbollah e pouco antes da abertura das negociações entre os dois lados em Washington. A guerra já deixou mais de 2.400 mortos no Líbano.
Correspondente experiente cobria confrontos
Amal Khalil, correspondente experiente, cobria o sul do Líbano durante o atual conflito entre o Hezbollah e Israel, assim como na guerra anterior, em 2023 e 2024. Ela trabalhava frequentemente com a fotógrafa freelancer Zeinab Faraj.
O Al-Akhbar reagiu à morte da jornalista. "Nossa colega Amal Khalil, correspondente no sul do Líbano, foi morta após ser perseguida por aviões inimigos que a alvejaram em vários ataques, atingindo primeiro seu carro e depois a casa onde ela havia se refugiado", escreveu o jornal na rede X.
O ministro da Informação do Líbano, Paul Morcos, afirmou que "atacar jornalistas é um crime hediondo". Ele também classificou a morte como "uma violação flagrante do direito internacional humanitário, sobre a qual não ficaremos em silêncio".
O Comitê Libanês para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) manifestou indignação e afirmou que "a contínua obstrução das operações de resgate por Israel pode constituir um crime de guerra".
Desde o início de março, cinco jornalistas morreram no Líbano em bombardeios israelenses.
Com AFP