Governo Trump manda delegado da PF que ajudou ICE a prender Ramagem deixar os EUA

Em nota, Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA não cita o nome do delegado, mas classifica sua atuação como uma tentativa de "manipular" o sistema de imigração dos Estados Unidos para tentar extraditar Ramagem.

20 abr 2026 - 19h03
(atualizado às 19h10)
Alexandre Ramagem é interrogado no STF em julho de 2025
Alexandre Ramagem é interrogado no STF em julho de 2025
Foto: EPA / BBC News Brasil

O governo dos Estados Unidos solicitou ao governo do Brasil que o oficial de ligação da Polícia Federal na Flórida, o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, deixe o país após sua atuação na detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) na semana passada.

Em nota divulgada no X (antigo Twitter), o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, do Departamento de Estado norte-americano, não cita o nome do delegado, mas classifica sua atuação como uma tentativa de "manipular" o sistema de imigração dos Estados Unidos.

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"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso", diz a nota.

A saída de Carvalho dos Estados Unidos havia sido divulgada mais cedo pelo portal Metrópoles e foi confirmada pela BBC News Brasil.

A reportagem questionou a Polícia Federal e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) sobre o caso, mas ainda não recebeu respostas.

Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na mesma ação penal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.

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Ele foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro e foi eleito deputado em 2022, mas teve seu mandato cassado em dezembro passado após o STF determinar a perda de mandato por sua condenação.

Ramagem foi preso pelo ICE e solto dois dias depois
Foto: Orange County incarcerations / BBC News Brasil

Ramagem vive nos Estados Unidos desde o ano passado e é considerado foragido pela Justiça brasileira. De acordo com a PF, ele fugiu do Brasil pela divisa do país com a Guiana, de onde pegou um voo para os Estados Unidos.

Há uma semana, em 13 de abril, ele foi detido por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE). Segundo a Polícia Federal, a detenção de Ramagem foi resultado de uma cooperação policial internacional.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que o oficial de ligação da PF na Flórida (Carvalho) teria enviado dados sobre o paradeiro de Ramagem a autoridades de imigração norte-americana que resultaram na detenção do ex-deputado.

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Dois dias depois, Ramagem foi solto, após forte pressão de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), entre eles o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o empresário Paulo Figueiredo, ambos radicados nos Estados Unidos.

Desde então, autoridades norte-americanas iniciaram um processo de apuração interna para saber como teria se dado essa cooperação policial.

A apuração tinha o objetivo de identificar, entre outras coisas, se o objetivo das autoridades brasileiras ao acionar o ICE para prender Ramagem era uma tentativa de burlar o processo de extradição do ex-parlamentar, uma vez que a decisão sobre se ele será ou não extraditado ao Brasil depende do Departamento do Estado, enquanto a deportação em casos de irregularidades migratórias depende do Departamento de Segurança Interna.

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