Trump anuncia envio de delegação dos EUA ao Paquistão nesta segunda para negociar acordo com Irã

Estreito de Ormuz continua fechado diante de impasse sobre bloqueio naval aos portos iranianos

19 abr 2026 - 10h23
(atualizado às 10h29)

Em uma mensagem em sua rede Truth Social, Trump afirmou que o acordo é "razoável" e que, se Teerã não o aceitar, "os Estados Unidos destruirão todas as usinas elétricas e todas as pontes do país. Chega de fazer papel de bonzinhos!", escreveu. Segundo o canal ABC News, a delegação americana será chefiada pelo vice-presidente J.D. Vance.

Trump também acusou Teerã de violar o cessar-fogo entre os dois países ao atacar navios no Estreito de Ormuz neste sábado (18). Em resposta, o Irã reafirmou neste domingo que o bloqueio naval americano aos portos iranianos constitui "não apenas uma violação do cessar‑fogo", mas também "um ato ilegal e criminoso". A decisão americana impede as embarcações de entrar ou sair do Estreito de Ormuz.

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"Impor deliberadamente uma punição coletiva à população iraniana equivale a um crime de guerra e a um crime contra a humanidade", acrescentou no X o porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaïl Baghaï.

Apesar da troca de farpas entre Trump e o Irã, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Bager Qalibaf, considerado o principal negociador da delegação iraniana, afirmou neste sábado (18) que "progressos" foram feitos durante as últimas negociações entre Teerã e Washington, no fim de semana passado. Segundo Trump, as "conversas foram muito boas".

"Fizemos progressos nas negociações, mas persistem muitas divergências e alguns pontos essenciais continuam pendentes", disse Mohammed Bager Qalibaf. "Insistimos em certas questões. Eles também têm suas exigências. Estamos ainda longe de concluir o debate", declarou.

Em 12 de abril, Qalibaf já havia participado das discussões em Islamabad, no Paquistão, com uma delegação americana liderada pelo vice-presidente JD Vance, que terminaram sem avanços. Durante o encontro, "enfatizamos que não temos absolutamente nenhuma confiança nos Estados Unidos", acrescentou Qalibaf.

Trump afirmou na sexta-feira (17) que os principais pontos de bloqueio tinham sido superados. De acordo com ele, o Irã teria aceitado entregar seu urânio altamente enriquecido, o que Teerã desmentiu.

"Trump diz que o Irã não deve fazer uso de seus direitos nucleares. O que lhe dá o direito de querer privar o Irã de seus próprios direitos?", questionou no domingo o presidente iraniano Massoud Pezeshkian, citado pela agência Isna. A República Islâmica, que nega querer desenvolver a bomba atômica, defende seu direito ao uso civil da energia nuclear.

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O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, declarou neste domingo (19) que os dois países "esperam" continuar as discussões para encerrar a guerra. Segundo ele, a pausa nos combates deveria ser prorrogada. A Turquia, vizinha do Irã, acompanha de perto a evolução do conflito.

Irã barra embarcações

A guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, já entrou em sua oitava semana, causou milhares de mortes e provocou a disparada dos preços do petróleo, resultado do bloqueio parcial do Estreito de Ormuz pelo Irã. A passagem estratégica, por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo, continuava parcialmente fechada neste domingo, apesar da interrupção dos bombardeios.

Neste domingo, as Forças Armadas iranianas impediram dois petroleiros de atravessar a área. Eles navegavam sob bandeira de Botsuana e de Angola, "apesar dos avisos", informou a agência de notícias Tasnim. Diante da manutenção do bloqueio americano aos portos iranianos, o Irã anunciou no sábado que retomaria o controle da área.

O país voltou atrás na decisão do dia anterior de reabrir o Estreito. A Guarda Revolucionária iraniana abordou e atirou em outras embarcações que trafegavam na área no sábado. "Qualquer tentativa de se aproximar do estreito de Ormuz será considerada cooperação com o inimigo, e o navio infrator será alvo", informaram os Guardiões da Revolução, braço ideológico das Forças Armadas iranianas.

"Eles estão dando uma de espertos", reagiu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, denunciando uma "chantagem". Segundo o site Marine Traffic, o tráfego no Estreito está parado neste domingo. O anúncio da reabertura da passagem, feito na sexta-feira(17), havia impulsionado os mercados financeiros e provocado forte queda nos preços do petróleo. O fechamento pode causar turbulências nas bolsas na segunda-feira.

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Estradas reabrem no Líbano

No Líbano, a situação continua instável. Um militar francês foi morto no sábado e outros três ficaram feridos — dois deles gravemente — em uma emboscada contra capacetes azuis no sul do país.O ataque, ocorrido um dia após a entrada em vigor de um cessar-fogo de dez dias no Líbano, foi atribuído ao Hezbollah pró-Irã, que negou envolvimento.

Apesar da trégua, o Exército de Israel permanece em solo libanês e estabeleceu uma "linha amarela" de demarcação no sul do país, como na Faixa de Gaza, e afirmou ter "eliminado uma célula terrorista" que operava perto de suas tropas. Também anunciou a morte de dois de seus soldados na região desde sexta-feira.

"Como não confiamos nesse inimigo, os combatentes da resistência permanecerão no terreno, dedo no gatilho, e responderão às violações", afirmou o chefe do Hezbollah, Naïm Qassem. O Exército libanês aproveita a interrupção dos combates para consertar estradas e pontes que haviam sido tornadas intransitáveis pelos bombardeios israelenses.

Com agências

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