Em uma mensagem em sua rede Truth Social, Trump afirmou que o acordo é "razoável" e que, se Teerã não o aceitar, "os Estados Unidos destruirão todas as usinas elétricas e todas as pontes do país. Chega de fazer papel de bonzinhos!", escreveu. Segundo o canal ABC News, a delegação americana será chefiada pelo vice-presidente J.D. Vance.
Trump também acusou Teerã de violar o cessar-fogo entre os dois países ao atacar navios no Estreito de Ormuz neste sábado (18). Em resposta, o Irã reafirmou neste domingo que o bloqueio naval americano aos portos iranianos constitui "não apenas uma violação do cessar‑fogo", mas também "um ato ilegal e criminoso". A decisão americana impede as embarcações de entrar ou sair do Estreito de Ormuz.
"Impor deliberadamente uma punição coletiva à população iraniana equivale a um crime de guerra e a um crime contra a humanidade", acrescentou no X o porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaïl Baghaï.
Apesar da troca de farpas entre Trump e o Irã, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Bager Qalibaf, considerado o principal negociador da delegação iraniana, afirmou neste sábado (18) que "progressos" foram feitos durante as últimas negociações entre Teerã e Washington, no fim de semana passado. Segundo Trump, as "conversas foram muito boas".
"Fizemos progressos nas negociações, mas persistem muitas divergências e alguns pontos essenciais continuam pendentes", disse Mohammed Bager Qalibaf. "Insistimos em certas questões. Eles também têm suas exigências. Estamos ainda longe de concluir o debate", declarou.
Em 12 de abril, Qalibaf já havia participado das discussões em Islamabad, no Paquistão, com uma delegação americana liderada pelo vice-presidente JD Vance, que terminaram sem avanços. Durante o encontro, "enfatizamos que não temos absolutamente nenhuma confiança nos Estados Unidos", acrescentou Qalibaf.
Trump afirmou na sexta-feira (17) que os principais pontos de bloqueio tinham sido superados. De acordo com ele, o Irã teria aceitado entregar seu urânio altamente enriquecido, o que Teerã desmentiu.
"Trump diz que o Irã não deve fazer uso de seus direitos nucleares. O que lhe dá o direito de querer privar o Irã de seus próprios direitos?", questionou no domingo o presidente iraniano Massoud Pezeshkian, citado pela agência Isna. A República Islâmica, que nega querer desenvolver a bomba atômica, defende seu direito ao uso civil da energia nuclear.
O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, declarou neste domingo (19) que os dois países "esperam" continuar as discussões para encerrar a guerra. Segundo ele, a pausa nos combates deveria ser prorrogada. A Turquia, vizinha do Irã, acompanha de perto a evolução do conflito.
Irã barra embarcações
A guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, já entrou em sua oitava semana, causou milhares de mortes e provocou a disparada dos preços do petróleo, resultado do bloqueio parcial do Estreito de Ormuz pelo Irã. A passagem estratégica, por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo, continuava parcialmente fechada neste domingo, apesar da interrupção dos bombardeios.
Neste domingo, as Forças Armadas iranianas impediram dois petroleiros de atravessar a área. Eles navegavam sob bandeira de Botsuana e de Angola, "apesar dos avisos", informou a agência de notícias Tasnim. Diante da manutenção do bloqueio americano aos portos iranianos, o Irã anunciou no sábado que retomaria o controle da área.
O país voltou atrás na decisão do dia anterior de reabrir o Estreito. A Guarda Revolucionária iraniana abordou e atirou em outras embarcações que trafegavam na área no sábado. "Qualquer tentativa de se aproximar do estreito de Ormuz será considerada cooperação com o inimigo, e o navio infrator será alvo", informaram os Guardiões da Revolução, braço ideológico das Forças Armadas iranianas.
"Eles estão dando uma de espertos", reagiu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, denunciando uma "chantagem". Segundo o site Marine Traffic, o tráfego no Estreito está parado neste domingo. O anúncio da reabertura da passagem, feito na sexta-feira(17), havia impulsionado os mercados financeiros e provocado forte queda nos preços do petróleo. O fechamento pode causar turbulências nas bolsas na segunda-feira.
Estradas reabrem no Líbano
No Líbano, a situação continua instável. Um militar francês foi morto no sábado e outros três ficaram feridos — dois deles gravemente — em uma emboscada contra capacetes azuis no sul do país.O ataque, ocorrido um dia após a entrada em vigor de um cessar-fogo de dez dias no Líbano, foi atribuído ao Hezbollah pró-Irã, que negou envolvimento.
Apesar da trégua, o Exército de Israel permanece em solo libanês e estabeleceu uma "linha amarela" de demarcação no sul do país, como na Faixa de Gaza, e afirmou ter "eliminado uma célula terrorista" que operava perto de suas tropas. Também anunciou a morte de dois de seus soldados na região desde sexta-feira.
"Como não confiamos nesse inimigo, os combatentes da resistência permanecerão no terreno, dedo no gatilho, e responderão às violações", afirmou o chefe do Hezbollah, Naïm Qassem. O Exército libanês aproveita a interrupção dos combates para consertar estradas e pontes que haviam sido tornadas intransitáveis pelos bombardeios israelenses.
Com agências