Lampedusa se prepara para visita do Papa em homenagem a migrantes mortos

Leão XIV depositará flores em túmulos do cemitério de Cala Pisana

2 jul 2026 - 16h39

A ilha de Lampedusa, no sul da Itália, se prepara para receber o papa Leão XIV no próximo sábado (4), em uma visita marcada por forte simbolismo ligado à memória dos migrantes que perderam a vida no Mediterrâneo.

    O Pontífice desembarcará no aeroporto da ilha, por volta das 9h (horário local), e será recebido pelo arcebispo de Agrigento, Alessandro Damiano, além de autoridades locais e representantes do governo italiano.

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    Em seguida, seguirá de carro para o cemitério de Cala Pisana, onde fará sua primeira parada na área dedicada aos migrantes mortos em travessias marítimas, marcada por cruzes sem nomes e números que representam vítimas cuja identidade permanece desconhecida.

    Na ocasião, Leão XIV deverá depositar flores em homenagem aos falecidos. Entre os túmulos que serão visitados está o de Youssef Ali Kanneh, conhecido na ilha como o "pequeno Yousuf", bebê de seis meses que morreu após um naufrágio em 2020.

    Seu túmulo traz uma mensagem em inglês deixada pelos pais: "Por que tão cedo, meu filho? Mamãe e papai te amarão para sempre".

    A visita ocorre em um contexto em que Lampedusa continua sendo um dos principais pontos de chegada de migrantes no Mediterrâneo.

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    O prefeito Filippo Mannino afirmou que, apesar de avanços na gestão das chegadas e na redução de emergências, a ilha "continua sendo uma balsa", permanecendo como local de trânsito e resgate de pessoas em busca de proteção.

    "Seremos sempre um ponto de trânsito. Enquanto as pessoas chegarem em busca de ajuda, elas devem ser resgatadas; não podemos simplesmente ignorar a situação. Mas é correto haver leis, e que essas leis sejam rigorosas", explica ele.

    Segundo Mannino, existe "a lei do mar que está acima de códigos e estatutos". No entanto, entende "perfeitamente por que Bruxelas e Paris podem não levar isso em consideração: eles não têm o mar".

    O prefeito também destacou que Lampedusa não vive mais à beira de uma crise. "Os números caíram ? até 50% em comparação com o passado. Mas o que mudou foi a logística: transferências mais rápidas e serviços de saúde aprimorados. Existe um protocolo em vigor que evita que as situações se transformem em emergências", enfatizou ele, acrescentando que o centro de acolhimento "é gerido de forma humana, graças às medidas adotadas e ao trabalho da Cruz Vermelha".

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    A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) também saudou a visita papal, destacando Lampedusa como símbolo do sofrimento e da esperança na rota migratória do Mediterrâneo Central e reforçando a necessidade de solidariedade e proteção aos migrantes.

    A viagem oficial de Leão XIV ainda prevê uma parada no Cais Favaloro para a bênção de uma placa que intitula o local de desembarque com o nome do falecido papa Francisco. .

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