Juiz francês vai investigar a morte do jornalista Jamal Khashoggi

Um juiz de instrução parisiense vai abrir uma investigação após uma queixa contra o príncipe‑herdeiro saudita Mohammed ben Salman relativa ao desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi. Assassinado em 2018 no consulado saudita em Istambul, na Turquia, ele era conhecido por suas posições críticas em relação ao poder saudita.

16 mai 2026 - 11h33

Um juiz de instrução da unidade especializada em crimes contra a humanidade vai agora conduzir a denúncia apresentada pelas associações Trial International e Repórteres Sem Fronteiras, por tortura e desaparecimentos forçados, confirmou à AFP o Ministério Público Nacional Antiterrorista (PNAT).

Jamal Khashoggi foi assassinado em 2 de outubro de 2018 dentro do consulado saudita em Istambul.
Jamal Khashoggi foi assassinado em 2 de outubro de 2018 dentro do consulado saudita em Istambul.
Foto: REUTERS - OSMAN ORSAL / RFI

A abertura dessa investigação ocorre após uma queixa das associações Trial International, que "luta contra a impunidade de crimes internacionais", e Democracy for the Arab World Now (DAWN), a organização que empregava Jamal Khashoggi. Elas haviam acionado a Justiça em julho de 2022, por ocasião de uma visita à França do príncipe‑herdeiro saudita Mohammed ben Salman, e foram posteriormente acompanhadas por uma queixa de Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

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Após vários anos de procedimentos, durante os quais o Ministério Público se opôs à abertura de uma investigação na França, a Corte de Apelação acabou atendendo ao pedido da Trial International e da RSF, em uma decisão proferida na segunda‑feira, 11 de maio, à qual a AFP teve acesso. O PNAT, por sua vez, declarou "tomar conhecimento dessa decisão, que não invalida, no entanto, sua interpretação" dos textos sobre a admissibilidade de associações para apresentar queixas desse tipo.

Jamal Khashoggi foi assassinado em 2 de outubro de 2018 dentro do consulado saudita em Istambul. Seu corpo nunca foi encontrado. Segundo as investigações, após ter sido torturado, o jornalista foi esquartejado. A Arábia Saudita foi duramente criticada após o assassinato desse dissidente. Os serviços de inteligência dos Estados Unidos apontaram então a responsabilidade direta do príncipe‑herdeiro, que na época havia sido colocado à margem da cena internacional.

"O crime do qual Jamal Khashoggi foi vítima é um crime abominável, decidido e planejado no mais alto nível do Estado saudita, que mandou executar um jornalista que era uma voz dissidente e independente", reagiu o advogado da RSF, Emmanuel Daoud.

"Não deveria mais haver qualquer obstáculo à abertura de uma investigação judicial sobre o crime atroz cometido contra Jamal Khashoggi", declarou, por sua vez, o advogado da Trial International, Henri Thulliez.

Com RFI e AFP

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