Um juiz de instrução da unidade especializada em crimes contra a humanidade vai agora conduzir a denúncia apresentada pelas associações Trial International e Repórteres Sem Fronteiras, por tortura e desaparecimentos forçados, confirmou à AFP o Ministério Público Nacional Antiterrorista (PNAT).
A abertura dessa investigação ocorre após uma queixa das associações Trial International, que "luta contra a impunidade de crimes internacionais", e Democracy for the Arab World Now (DAWN), a organização que empregava Jamal Khashoggi. Elas haviam acionado a Justiça em julho de 2022, por ocasião de uma visita à França do príncipe‑herdeiro saudita Mohammed ben Salman, e foram posteriormente acompanhadas por uma queixa de Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
Após vários anos de procedimentos, durante os quais o Ministério Público se opôs à abertura de uma investigação na França, a Corte de Apelação acabou atendendo ao pedido da Trial International e da RSF, em uma decisão proferida na segunda‑feira, 11 de maio, à qual a AFP teve acesso. O PNAT, por sua vez, declarou "tomar conhecimento dessa decisão, que não invalida, no entanto, sua interpretação" dos textos sobre a admissibilidade de associações para apresentar queixas desse tipo.
Jamal Khashoggi foi assassinado em 2 de outubro de 2018 dentro do consulado saudita em Istambul. Seu corpo nunca foi encontrado. Segundo as investigações, após ter sido torturado, o jornalista foi esquartejado. A Arábia Saudita foi duramente criticada após o assassinato desse dissidente. Os serviços de inteligência dos Estados Unidos apontaram então a responsabilidade direta do príncipe‑herdeiro, que na época havia sido colocado à margem da cena internacional.
"O crime do qual Jamal Khashoggi foi vítima é um crime abominável, decidido e planejado no mais alto nível do Estado saudita, que mandou executar um jornalista que era uma voz dissidente e independente", reagiu o advogado da RSF, Emmanuel Daoud.
"Não deveria mais haver qualquer obstáculo à abertura de uma investigação judicial sobre o crime atroz cometido contra Jamal Khashoggi", declarou, por sua vez, o advogado da Trial International, Henri Thulliez.
Com RFI e AFP