Israel identifica e repatria corpo de Ran Gvili, último refém do Hamas em Gaza

Israel anunciou nesta segunda-feira (26) ter identificado e repatriado o corpo de Ran Gvili, o último refém do grupo Hamas na Faixa de Gaza. Com o retorno dos restos mortais do policial, todas as pessoas sequestradas no ataque de 7 de outubro de 2023, vivas ou mortas, foram devolvidas.

26 jan 2026 - 15h52

O Exército israelense declarou em um comunicado que após o processo de identificação realizado pelo Centro Nacional de Medicina Legal, a família do refém Ran Gvili foi informada "que seu ente querido foi repatriado para seu enterro". No documento, os militares também afirmam ter cumprido a promessa de não deixar nenhuma pessoa para trás.

Mulheres israelenses se abraçam diante de um banner com fotos de reféns do grupo Hamas, entre elas, a do policial israelense Ran Gvili. Tel Aviv, 26 de janeiro de 2026.
Mulheres israelenses se abraçam diante de um banner com fotos de reféns do grupo Hamas, entre elas, a do policial israelense Ran Gvili. Tel Aviv, 26 de janeiro de 2026.
Foto: REUTERS - Gideon Markowicz / RFI

"O repatriamento dos reféns, incluindo o do último refém morto, foi realizado após dois anos de combates intensos e representa a promessa das Forças de Defesa de Israel aos cidadãos do Estado de Israel de nunca abandonar ninguém", diz o comunicado.

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Ran Gvili tinha 24 anos quando foi morto por membros do grupo Hamas ao defender o kibutz Aloumim em 7 de outubro de 2023.  Na época, ele estava de licença médica, mas decidiu sair de casa com sua arma pessoal ao tomar conhecimento do ataque e morreu no confronto com membros do grupo palestino. Seu corpo foi levado para a Faixa de Gaza, mas foi apenas alguns meses depois, em janeiro de 2024, que Israel confirmou sua morte. 

Imensa operação em cemitério

A localização dos restos mortais de Ran Gvili foi alvo de uma imensa operação por parte do Exército israelense em um cemitério no norte da Faixa de Gaza no domingo (25). Pouco antes do início dos trabalhos, o braço armado do Hamas afirmou ter repassado aos mediadores do conflito "todos os detalhes e informações em sua posse sobre a localização do corpo do cativo". 

O Hamas afirmava até então ter dificuldade para localizar o cadáver do policial devido às destruições massivas na Faixa de Gaza e à falta de equipamentos. Já Israel acusava o grupo armado palestino de atrasar a devolução.

No domingo, a imprensa israelense informou que os emissários do presidente americano, Jared Kushner e Steve Witkoff, pressionaram o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para reabrir a passagem de Rafah, entre Gaza e o Egito. No entanto, Israel condicionava a reabertura do local à devolução dos restos mortais do policial. 

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O acesso à passagem é reivindicada há muito tempo pelas Nações Unidas e pela comunidade humanitária, mas Israel já deixou claro que ela será parcial. Na noite desta segunda-feira, o gabinete de Netanyahu indicou que o local poderá ser utilizado apenas por pedestres e será submetido "a um mecanismo completo de inspeção israelense".

Após o anúncio do repatriamento, nove prisioneiros palestinos foram libertados por Israel e retornaram à Faixa de Gaza na noite de segunda‑feira, anunciaram as autoridades locais. Eles foram levados ao Hospital dos Mártires de Al‑Aqsa, em Deir el‑Balah, no centro do enclave, acompanhados por equipes da Cruz Vermelha. 

"Trouxemos todos de volta"

Para Netanyahu, o retorno dos restos mortais de Gvili é uma "conquista imensa para as Forças de Defesa de Israel, para o Estado de Israel e também para os cidadãos de Israel". "Prometemos, e eu prometi, trazer todos de volta. Trouxemos todos de volta", disse ele a repórteres no Parlamento.

O Fórum das Famílias dos Reféns também celebrou o retorno do último refém. "Com a volta de Gvili, herói que deu sua vida para defender sua comunidade, podemos finalmente dizer: não há mais ninguém em cativeiro em Gaza", declarou a organização em um comunicado. 

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No total, 251 pessoas, incluindo 44 que já estavam mortas, foram levadas como reféns pelo Hamas para a Faixa de Gaza em 7 de outubro de 2023, desencadeando a guerra no enclave palestino. Das 207 pessoas sequestradas vivas, 41 morreram ou foram mortas em cativeiro.

RFI com AFP 

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