Israel destruiu um complexo subterrâneo do Hezbollah na crista estratégica de Ali Taher, no sul do Líbano, causando uma explosão que gerou um tremor de magnitude 4,1. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que o país está pronto para expandir a ofensiva e consolidar uma zona de segurança fronteiriça. Explorada politicamente por Benjamin Netanyahu antes das eleições legislativas, a tomada da área visa impedir o lançamento de drones e mísseis libaneses contra o território israelense.
"Estamos prontos para prosseguir com a campanha, continuar atacando o Hezbollah, inclusive em outros locais", declarou o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, em comunicado.
Na noite de quinta-feira, o exército israelense explodiu instalações subterrâneas construídas pelo Hezbollah sob a estratégica crista de Ali Taher, na região libanesa de Nabatieh. A explosão foi tão potente que o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), referência mundial na detecção de terremotos, registrou um tremor de magnitude 4,1, equivalente a um pequeno terremoto.
Vídeos divulgados pelas autoridades israelenses e nas redes sociais mostram uma parede de fogo saindo do solo em meio a uma enorme explosão. A crista de Ali Taher fica em uma região do sul do Líbano ocupada pelo Exército israelense, que afirma querer estabelecer ali uma "zona de segurança" para impedir ataques do Hezbollah contra localidades do norte de Israel, do outro lado da fronteira.
Após a destruição dos túneis, "há agora uma zona de segurança sólida, mais sólida do que nunca, que protege nossas comunidades", declarou Katz na sexta-feira.
"Manter o controle"
A zona também permite ao exército israelense "manter o controle e ameaçar o Hezbollah em profundidade" em território libanês, acrescentou Katz. O Exército israelense havia anunciado na semana passada a tomada da crista de Ali Taher, localizada ao norte do rio Litani e na extremidade da área ocupada por Israel no sul do Líbano.
Israel afirma que o Hezbollah havia escavado túneis na região que lhe permitiam lançar drones e mísseis contra posições militares israelenses no sul do Líbano e contra o norte de Israel, do outro lado da fronteira.
Na noite de quinta-feira, o Exército israelense afirmou ter mapeado cerca de cinco quilômetros de túneis e estradas construídos naquela região montanhosa.
Às vésperas das eleições legislativas previstas para o fim de outubro em Israel, a tomada da crista de Ali Taher é apresentada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu como uma grande vitória estratégica, em uma tentativa de reconstruir sua imagem de garantidor da segurança de Israel, desgastada pelos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra regional em março, em solidariedade ao Irã, mas a violência diminuiu de intensidade desde o acordo entre Irã e Estados Unidos, em junho, paralelamente a um acordo entre Líbano e Israel.
Durante as negociações entre Líbano e Israel, os Estados Unidos, que patrocinam as conversas, propuseram que o Exército libanês assumisse o controle da crista de Ali Taher, mas o Hezbollah recusou, segundo uma fonte próxima aos participantes ouvida pela AFP.