Repressão em Hong Kong: ativistas são condenados por lembrar Massacre da Praça da Paz Celestial

Três ativistas que organizavam vigílias em memória do Massacre da Praça da Paz Celestial (Tiananmen), ocorrido na noite de 3 para 4 de junho de 1989, em Pequim, foram condenados a penas que variam de cinco a mais de sete anos de prisão nesta sexta-feira (11), em Hong Kong. O julgamento foi alvo de críticas por parte de vários países e inúmeras organizações de defesa dos direitos humanos.

11 set 2026 - 11h03
Resumo
Três líderes pró-democracia de Hong Kong foram condenados a penas de cinco a sete anos de prisão sob acusação de incitação à subversão. Lee Cheuk-yan, Chow Hang-tung e Albert Ho lideravam a extinta Aliança de Hong Kong, responsável por vigílias em memória ao Massacre da Praça da Paz Celestial. A decisão, fundamentada na Lei de Segurança Nacional imposta por Pequim em 2020 para reprimir a oposição, gerou fortes críticas de Taiwan e de entidades globais de direitos humanos por silenciar a história.

Lee Cheuk-yan, de 69 anos, Chow Hang-tung, de 41 anos, e Albert Ho, de 74 anos, haviam sido considerados culpados de "incitação à subversão" em agosto e estavam detidos desde o indiciamento, em 2021. Nesta sexta-feira, Lee Cheuk-yan e Chow Hang-tung, que reivindicaram inocência, foram condenados respectivamente a sete anos e a sete anos e três meses de prisão. Já Albert Ho, que havia se declarado culpado, recebeu uma sentença de cinco anos e dois meses atrás das grades.

Militantes Lee Cheuk-yan, Chow Hang-tung e Albert Ho foram condenados por relembrarem Massacre da Praça da Paz Celestial, ocorrido em 1989 em Pequim.
Militantes Lee Cheuk-yan, Chow Hang-tung e Albert Ho foram condenados por relembrarem Massacre da Praça da Paz Celestial, ocorrido em 1989 em Pequim.
Foto: © AFP/Peter Parks, Anthony Wallace / RFI

Acusados, entre outras delitos, de questionar a supremacia do Partido Comunista Chinês, os três eram líderes da Aliança de Hong Kong - grupo hoje dissolvido que organizava vigílias anuais no Victoria Park para relembrar o massacre da Praça da Paz Celestial. Na época, o local se transformava em um mar de velas erguidas pelos participantes.

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Atos de 'gravidade considerável'

A sentença aponta que, embora não tenha havido violência e os réus não tenham apresentado um cronograma preciso para acabar com a "ditadura de partido único", seus atos eram, ainda assim, de "gravidade considerável".

Antes da leitura das sentenças, Lee Cheuk-yan havia declarado que "as verdadeiras intenções das autoridades haviam sido finalmente reveladas". "Esses processos são uma tentativa de apagar a memória, em particular a do 4 de junho, ao atribuir importância excessiva a certos slogans", declarou ele.

Hong Kong e Macau foram, durante muito tempo, os únicos locais do território chinês onde era possível se manifestar publicamente sobre a repressão, pelo exército chinês, dos protestos organizados para exigir reformas políticas na Praça da Paz Celestial (Tiananmen), em Pequim. A repressão deixou centenas ou até mais de mil mortos.

Hoje, essas manifestações estão proibidas na antiga colônia britânica, desde que o governo chinês impôs, em 2020, uma lei de segurança nacional na região, na sequência dos atos com intensa participação pela democracia, ocorridos em 2019.

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Taiwan condena as penas

As autoridades de Taiwan, território reivindicado por Pequim, condenaram as "penas pesadas" impostas aos ativistas. A justiça "inventou acusações e conduziu julgamentos políticos em nome da segurança nacional para proteger um regime autoritário", afirmou, em comunicado, o órgão taiwanês responsável pelos assuntos relacionados à China.

Essas "penas severas" evidenciam "a crueldade e a insegurança de um governo que teme a memória e o povo", reagiu Elaine Pearson, diretora para a Ásia da Human Rights Watch. "Essas condenações constituem uma tragédia tripla: para os ativistas injustamente punidos; para os sobreviventes e as vítimas da própria repressão de Tiananmen; e para as gerações de habitantes de Hong Kong privadas da possibilidade de discutir um dos eventos mais marcantes da história contemporânea da China", lamentou, por sua vez, a Anistia Internacional.

Segundo um levantamento realizado no início de agosto, as autoridades de Hong Kong prenderam 415 pessoas por diversos motivos relacionados à segurança nacional, das quais 185 foram consideradas culpadas.

Com AFP

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