"Acredito que ainda há uma boa chance de se chegar a uma solução diplomática vantajosa para ambos os lados", afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, no domingo. "Continuamos nossas negociações, trabalhando nos elementos de um acordo e em uma primeira versão do texto", disse o ministro à rede americana CBS, antes de uma reunião com negociadores americanos, "provavelmente na quinta-feira, em Genebra".
Mas o Irã tem "o direito de se defender", continuou ele. Diante de um "ato de agressão", qualquer resposta é, segundo Araghchi, "justificada e legítima".
Teerã e Washington realizaram duas rodadas de negociações desde o início de fevereiro, mediadas por Omã, para tentar resolver suas divergências — particularmente em relação ao programa nuclear iraniano, que há muito tempo tensiona as relações entre os dois países. Para forçar um acordo, o presidente Donald Trump ameaça com intervenção militar e enviou dois porta-aviões e mais de dez navios de guerra para a região.
Segundo o Wall Street Journal, este é o maior contingente aéreo reunido no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003.
"Isso representa de 40% a 50% do poder aéreo americano disponível para implantação em todo o mundo", acrescenta Robert Pape, especialista em segurança da Universidade de Chicago. E espera-se que mais reforços cheguem à região. "Os Estados Unidos nunca mobilizaram tantas forças contra um inimigo em potencial sem lançar ataques", enfatiza o professor no X.
This represents 40-50% of the deployable US air power in the world. Think air power on the order of the 1991 and 2003 Iraq war. And growing. Never has the US deployed this much force against a potential enemy and not launched strikes. pic.twitter.com/NLPIOEyeUs
— Robert A. Pape (@ProfessorPape) February 21, 2026
"Nossos mísseis não podem atingir o território americano; portanto, precisamos encontrar outra solução (...) e atacar a base americana na região", reiterou Araghchi, sem especificar qual.
Autoridades iranianas já haviam ameaçado bloquear o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica para o comércio global de petróleo.
As negociações indiretas anteriores entre os dois países foram abruptamente interrompidas em junho de 2025, durante a guerra iniciada por Israel contra o Irã e apoiada pelos Estados Unidos, na qual instalações nucleares iranianas foram alvo de ataques.
Buscando alívio das sanções internacionais que prejudicam sua economia, o Irã afirmou, na sexta-feira, que desejava um acordo "rápido", um dia após o ultimato emitido por Donald Trump.
Segundo o portal americano Axios, citando um alto funcionário não identificado, os Estados Unidos — liderados pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo genro de Donald Trump, Jared Kushner — estão prontos para novas negociações "se receberem uma proposta detalhada do Irã nas próximas 48 horas".
Abbas Araghchi, que lidera a delegação iraniana nas negociações, afirmou, na sexta-feira, que um rascunho do texto estaria pronto "em dois ou três dias" e seria então apresentado aos Estados Unidos. Donald Trump, por sua vez, deu a si mesmo de 10 a 15 dias, na semana passada, antes de tomar uma decisão.
Enriquecimento zero x enriquecimento "simbólico"
Enquanto o presidente americano defende o "enriquecimento zero" de urânio em solo iraniano — ponto crucial de discórdia —, Washington estaria considerando, segundo o Axios, a possibilidade de autorizar um "enriquecimento simbólico e limitado", que não permitiria ao Irã desenvolver armas nucleares.
"Como país soberano, temos todo o direito de decidir por nós mesmos", declarou o ministro Araghchi no domingo. "Desenvolvemos essa tecnologia por conta própria, graças aos nossos cientistas, e ela é muito importante para nós."
As nações ocidentais temem que o Irã possa adquirir armas nucleares, enquanto Teerã defende o desenvolvimento de energia nuclear civil.
Essas novas tensões entre Washington e Teerã surgiram após a repressão, pelo governo iraniano, de um amplo movimento de protesto no país.
Donald Trump havia dito inicialmente que queria intervir militarmente em apoio aos manifestantes, mas depois passou a pressionar por uma solução diplomática para as disputas.
Pela primeira vez desde a repressão de janeiro, slogans pedindo a morte do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, foram novamente ouvidos esta semana em várias cidades iranianas.
No domingo, estudantes favoráveis e contrários ao regime se enfrentaram pelo segundo dia consecutivo em manifestações realizadas em homenagem aos manifestantes mortos.
No dia anterior, confrontos entre os dois grupos também haviam sido registrados, segundo a mídia iraniana.
Com AFP