Irã está disposto a diluir urânio enriquecido a 60% em troca do fim de sanções

Teerã retomou negociações com Estados Unidos há poucos dias

9 fev 2026 - 12h48
(atualizado às 13h08)

O Irã está disposto a diluir seu urânio altamente enriquecido caso os Estados Unidos suspendam todas as sanções contra o país, afirmou nesta segunda-feira (9) o diretor da Organização de Energia Atômica de Teerã, Mohammad Eslami, após a retomada das negociações com Washington.

Ali Khamenei, líder supremo do Irã, em discurso televisivo
Ali Khamenei, líder supremo do Irã, em discurso televisivo
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

"A possibilidade de diluir urânio enriquecido a 60% nas negociações depende de, em troca, todas as sanções serem ou não suspensas", afirmou Eslami, citado pela Irna, sem especificar se isso incluiria todas as sanções contra o Irã ou apenas as impostas pelos EUA.

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Na semana passada, Washington e Teerã retomaram o diálogo para um acordo sobre o programa nuclear iraniano.

Segundo Eslami, "questões técnicas e nucleares estão sendo discutidas juntamente com questões políticas nas negociações".

Diluir urânio significa misturá-lo com outros materiais para reduzir o nível de enriquecimento, de modo que o produto final não ultrapasse um determinado limite.

Antes dos ataques dos EUA e de Israel às suas instalações nucleares em junho do ano passado, o Irã enriquecia urânio a 60%, ultrapassando em muito o limite de 3,67% permitido por um acordo nuclear, agora extinto, firmado com as potências mundiais em 2015.

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De acordo com Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), o país persa é o único Estado não detentor de armas nucleares que enriquece urânio a 60%.

Ao mesmo tempo, ainda é desconhecido o paradeiro de mais de 400 quilos de urânio altamente enriquecido que Teerã possuía antes do conflito de junho de 2025, sendo que os inspetores da Aiea registraram sua localização pela última vez em 10 de junho.

Tal estoque poderia permitir ao Irã construir mais de nove bombas nucleares, caso o enriquecimento atingisse 90%.

O governo dos aiatolás sustenta que tem direito a um programa nuclear civil, de acordo com as disposições do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), do qual é signatário juntamente com outros 190 países. 

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