Irã eleva tom e sinaliza que está pronto para ampliar a guerra no Oriente Médio

O Irã afirmou nesta segunda-feira (16) que estava preparado para ir "tão longe" quanto fosse necessário na guerra do Oriente Médio, intensificando seus ataques à infraestrutura do Golfo Pérsico, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressiona as principais potências a intervirem para reabrir o Estreito de Ormuz.

16 mar 2026 - 13h48

O Irã reiterou perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU, nesta segunda-feira, que "não se submeterá" à "agressão ilegal" dos EUA e de Israel, afirmando que seus cidadãos estão em "grave perigo" devido aos ataques em curso contra o país.

Policiais israelenses inspecionam um prédio danificado por um ataque de projétil iraniano em Rishon LeZion, no centro de Israel, em 16 de março de 2026.
Policiais israelenses inspecionam um prédio danificado por um ataque de projétil iraniano em Rishon LeZion, no centro de Israel, em 16 de março de 2026.
Foto: AFP - AHMAD GHARABLI / RFI

Em discurso em Genebra, onde os países debatiam a situação dos direitos humanos no Irã — particularmente à luz da sangrenta repressão aos manifestantes nos últimos meses — Teerã declarou que a atenção deveria estar voltada para a guerra no Oriente Médio.

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"A questão mais urgente e fundamental dos direitos humanos no Irã é a ameaça iminente à vida de 90 milhões de pessoas, cujas vidas estão em perigo imediato e grave sob a sombra da agressão militar imprudente", disse Ali Bahreini, embaixador do Irã na ONU, em Genebra.

Bahrini advertiu que, se tal "militarismo imprudente" for recebido com indiferença, "o Irã certamente não será o último país a sofrer tal tratamento".

Dezessete dias após o ataque israelense-americano a Teerã, o conflito está assolando a região e preocupando o mundo inteiro, tanto pelos riscos que representa para o abastecimento da economia global quanto pela instabilidade geopolítica que está gerando.

Os Estados Unidos e Israel "entenderam com que tipo de nação estavam lidando, uma nação que (...) está preparada para levar a guerra até o fim, onde quer que ela leve, e ir tão longe quanto for necessário", declarou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi.

O Irã continua seus ataques a bases militares americanas e a interesses econômicos em seus vizinhos do Golfo, bem como à infraestrutura civil — aeroportos, portos e instalações petrolíferas.

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Voos perturbados

Nos Emirados Árabes Unidos, o Aeroporto de Dubai, um importante centro global de tráfego aéreo, reabriu após as operações terem sido suspensas por várias horas devido a um ataque de drone e a um incêndio em um tanque de combustível. Antes da guerra, o aeroporto era o mais movimentado do mundo em tráfego internacional. Uma testemunha disse à AFP que os passageiros foram evacuados temporariamente para um andar inferior.

Um ataque com drones também causou um incêndio na zona industrial petrolífera dos Emirados Árabes Unidos, em Fujairah, localizada na costa do Golfo de Omã.

Riade afirmou ter interceptado pelo menos 61 drones no leste do país nesta segunda-feira.

Alta do petróleo

O conflito está fazendo com que os preços do petróleo disparem. "O objetivo dos iranianos não é vencer, mas sim resistir e, portanto, fazer com que os americanos paguem um preço exorbitante", disse David Khalfa, cofundador do centro de pesquisa Atlantic Middle East Forum, em Paris, à AFP. "Eles adotaram uma estratégia de caos regional calculado, utilizando meios de baixo custo, incluindo drones de combate."

Em resposta, Donald Trump está pressionando a comunidade internacional para garantir a segurança do Estreito de Ormuz, que o Irã efetivamente isolou.

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Em entrevista ao Financial Times, o presidente americano pediu à Otan e a Pequim que enviem navios de guerra para essa via navegável estratégica, por onde passa um quinto do tráfego mundial de petróleo e gás liquefeito.

"É perfeitamente normal que aqueles que se beneficiam desse estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça ali", disse Trump, após prometer que a Marinha dos EUA começaria a escoltar petroleiros "muito em breve".

Donald Trump ainda previu "consequências muito ruins para o futuro da Otan" caso os membros da aliança se recusem a atender ao pedido.

"A Otan é uma aliança para a defesa do território" de seus membros e "não tem mandato para intervir" no Oriente Médio, respondeu Berlim.

Até o momento, Trump recebeu apenas uma resposta lacônica de Pequim, que assegurou que permanece "em comunicação" com Washington a respeito da questão.

Os países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram na semana passada liberar coletivamente 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas. Essa decisão é inédita em meio século.

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(Com agências)

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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