Irã e Israel mantém os ataques na manhã desta segunda‑feira (30), apesar de o presidente americano Donald Trump garantir que está próximo de um "acordo" com o novo governo iraniano para acabar com a guerra, sem excluir a possibilidade de envio de tropas terrestres.
Em comunicado, o Exército israelense anunciou que "respondia" a um ataque de mísseis vindos do Irã e visou áreas militares no país, bombardeando, durante dois dias, cerca de quarenta locais de produção de armas em Teerã. Entre os alvos estava uma uma linha de fabricação de mísseis superfície‑ar de longo alcance.
"Durante ataques aéreos nos últimos dois dias em Teerã, cerca de 40 instalações de produção e pesquisa de armamentos foram alvo" diz o texto. Israel também realizou novos bombardeios em Beirute contra infraestruturas do movimento xiita libanês Hezbollah, aliado de Teerã, que visam "expandir a zona de segurança" no sul do Líbano.
Ataques também atingiram a periferia sul da capital libanesa após um aviso lançado pelas forças israelenses aos habitantes de sete bairros. A guerra se expande na região e, no fim de semana, os houthis pró‑iranianos do Iêmen atacaram Israel e Teerã continuou a atingir infraestruturas econômicas no Golfo.
Nesta segunda, a refinaria de petróleo de Haifa, a maior de Israel, foi alvo de um "impacto" pouco depois de o Exército informar ter detectado novos mísseis lançados pelo Irã. Ainda não se sabe se o local foi atingido diretamente por um míssil vindo do Irã ou do Líbano, ou por estilhaços de uma interceptação.
Neste domingo (29), Trump defendeu sua estratégia e disse ter obtido uma "mudança de regime no Irã", graças aos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel. Milhares de soldados americanos foram enviados para a região nos últimos dias, mas o presidente americano não descarta a possibilidade de um acordo de paz, que seria "iminente".
"Acho que vamos fechar um acordo com eles, tenho quase certeza disso", afirmou durante uma entrevista coletiva a bordo do Air Force One. Trump também tentou tranquilizar a opinião pública americana, cada vez mais desfavorável ao conflito. Ele disse que "promoveu uma mudança de regime" graças aos ataques que mataram o guia supremo Ali Khamenei, que deram início à guerra, em 28 de fevereiro.
"O primeiro regime foi dizimado, destruído, estão todos mortos", declarou o presidente americano em outra coletiva. "O regime seguinte", nomeado após a morte do aiatolá Khamenei, "está em grande parte morto também", acrescentou.
Mojtaba Khamenei, filho do guia e seu sucessor, não foi visto desde que teria assumido o comando do país após o assassinato do pai. "Ninguém ouviu falar dele. Ele pode estar vivo, mas está provavelmente em uma situação muito, muito grave", avaliou Trump.
Essa situação levou à formação de um "terceiro regime" no Irã, segundo o presidente americano.
"Estamos lidando com pessoas diferentes de todas aquelas com quem alguém já lidou anteriormente", resumiu. "É um grupo totalmente diferente, por isso considero uma mudança de regime."
Trump ainda anunciou que os "novos responsáveis iranianos" aceitaram aliviar "ligeiramente" o bloqueio do Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde transita 20% do petróleo mundial e que está paralisada desde o início da guerra. O Irã deverá permitir nos próximos dias a passagem de 20 petroleiros pelo Estreito.
O Paquistão declarou estar disposto a "acolher e facilitar, nos próximos dias, negociações entre Estados Unidos e Irã, visando alcançar "uma solução global e duradoura para o conflito", afirmando contar com o crescente apoio da ONU e da China.
Ofensiva terrestre
O Wall Street Journal revelou nesta segunda que o governo Trump não descarta uma invasão terrestre ao Irã com o objetivo de extrair cerca de 450 quilos de urânio do país. O presidente americano insiste que, para que a guerra acabe, o regime deve abrir mão de seus estoques de urânio enriquecido.
Um navio americano de assalto anfíbio, à frente de um grupo naval composto por "cerca de 3.500" marinheiros e soldados do Corpo de Fuzileiros Navais, chegou à região na sexta‑feira.
"O inimigo envia publicamente mensagens de negociação e diálogo, enquanto planeja secretamente uma ofensiva terrestre", denunciou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. "Nossos homens aguardam a chegada dos soldados americanos ao terreno para atacá‑los e punir de uma vez por todas seus aliados regionais", ameaçou.
Outra área estratégica visada pelos EUA é a ilha de Kharg. A faixa de terra situada no norte do Golfo, já bombardeada pelos Estados Unidos em meados de março, abriga o maior terminal petrolífero do Irã, responsável por cerca de 90% de suas exportações de petróleo bruto.
"Talvez tomemos a ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções. Não acho que eles tenham qualquer defesa. Poderíamos tomá‑la muito facilmente", afirmou o presidente americano em outra entrevista ao Financial Times divulgada na noite de domingo. Ele também declarou que poderá "tomar o petróleo" iraniano.
Ataques no Golfo
O Irã mantém seus ataques de retaliação contra interesses americanos e econômicos no Golfo. No Kuwait, um prédio de uma usina de dessalinização — que também gera eletricidade — foi atingido por um ataque, "causando a morte de um trabalhador indiano e grandes danos materiais", segundo o governo do emirado. A Arábia Saudita anunciou ter interceptado cinco mísseis que se dirigiam para o leste do país.
Uma reunião por videoconferência deve ocorrer nesta segunda‑feira entre representantes dos países do Golfo, da Rússia e da Jordânia, para discutir "as repercussões dos ataques iranianos", segundo a agência oficial do Kuwait.
Com agências