Crise com Israel sobre Santo Sepulcro foi 'resolvida', diz Igreja Católica

Cardeal foi impedido de rezar missa de Ramos no templo em Jerusalém

30 mar 2026 - 08h11
(atualizado às 09h23)

O Patriarcado Latino de Jerusalém, representação da Igreja Católica na Terra Santa, confirmou nesta segunda-feira (30) que as questões relativas às celebrações na Igreja do Santo Sepulcro, um dos locais mais sagrados do cristianismo, foram resolvidas.

Pierbattista Pizzaballa em missa na Igreja do Santo Sepulcro, em foto de arquivo
Pierbattista Pizzaballa em missa na Igreja do Santo Sepulcro, em foto de arquivo
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A declaração chega após o cardeal italiano Pierbattista Pizzaballa, patriarca de Jerusalém, ter sido proibido pela polícia de Israel de realizar a missa do Domingo de Ramos no lugar onde, segundo a tradição cristã, Jesus foi crucificado e sepultado.

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"O Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa confirmam que as questões relativas às celebrações da Semana Santa e da Páscoa no Santo Sepulcro foram tratadas e resolvidas em coordenação com as autoridades competentes", diz um comunicado divulgado pela arquidiocese.

"Em acordo com a polícia israelense, foi garantido o acesso aos representantes das Igrejas a fim de celebrar as liturgias e as cerimônias e preservar as antigas tradições", acrescenta a nota, que agradece ao presidente israelense, Isaac Herzog.

"Proteger a liberdade de culto permanece um dever fundamental e compartilhado", conclui o patriarcado.

Já Herzog assegurou que Israel está empenhado com a "liberdade de culto de todas as pessoas de fé" e com a "importância de preservar o status quo nos lugares sagrados de Jerusalém". "Em nome do Estado de Israel, estendo minhas mais calorosas saudações de Páscoa ao patriarca latino, aos nossos irmãos e irmãs cristãos na Terra Santa e aos nossos amigos cristãos no Oriente Médio e em todo o mundo", disse.

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Israel havia alegado razões de segurança para impedir que Pizzaballa rezasse a missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro, citando o risco de possíveis ataques do Irã contra Jerusalém.

A decisão, no entanto, provocou críticas em diversos países do mundo, como Brasil, Espanha e França. Na Itália, o governo da premiê Giorgia Meloni convocou o embaixador de Israel em Roma, Jonathan Peled, para prestar esclarecimentos sobre o caso, enquanto a União Europeia denunciou uma "violação da liberdade religiosa".

"Acho que poderíamos ter administrado essa questão muito melhor, da nossa parte, da parte do patriarca, da parte do governo da Itália", afirmou Peled nesta segunda-feira, ao canal italiano Sky TG24.

"Em geral, a parte sagrada de Jerusalém está fechada para judeus, muçulmanos e cristãos porque houve ataques com mísseis. Mas chegamos a um acordo para que o patriarca e a comunidade cristã celebrem a Santa Páscoa de forma limitada e segura", salientou o diplomata.

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