Irã chama propostas de paz dos EUA de "irrealistas"; petróleo sobe em meio a novos ataques com mísseis

30 mar 2026 - 10h31

O Irã ‌descreveu as propostas dos EUA para pôr fim a um mês de guerra no Oriente Médio de "irrealistas, ilógicas e excessivas" na segunda-feira e lançou mais mísseis contra Israel, enquanto os preços do petróleo subiam ainda mais depois que os houthis, do Iêmen, entraram no conflito.

As Forças Armadas de Israel disseram que dois drones do Iêmen foram interceptados na segunda-feira, dois dias depois que os houthis, alinhados ao Irã, dispararam ⁠mísseis contra Israel pela primeira vez desde o início da guerra de EUA e Israel contra o Irã, ‌que se espalhou pela região. O grupo Hezbollah, do Líbano, também disparou foguetes contra Israel na segunda-feira.

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Os militares israelenses disseram que realizaram ataques com mísseis visando o que chamaram de infraestrutura militar em Teerã, ‌bem como a infraestrutura usada pelo Hezbollah, apoiado pelo Irã, em ‌Beirute, deixando uma fumaça preta pairando sobre a capital libanesa.

O presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu ⁠outro aviso ao Irã na segunda-feira para abrir o Estreito de Ormuz, uma hidrovia usada para o transporte de um quinto dos suprimentos globais de petróleo e gás natural liquefeito, ou corre risco de sofrer ataques dos EUA à sua infraestrutura de energia.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que Teerã havia recebido mensagens por meio de intermediários indicando a disposição de Washington em negociar. ‌Isso ocorreu após uma reunião dos ministros das Relações Exteriores de Paquistão, Egito, Arábia Saudita e Turquia em ‌Islamabad, no domingo, para discutir os ⁠esforços de mediação.

Mas Baghaei, criticando ⁠as propostas dos EUA, disse em uma coletiva de imprensa na segunda-feira: "Nossa posição é clara. Estamos sofrendo uma agressão ⁠militar. Portanto, todos os nossos esforços e forças estão concentrados ‌em nos defender."

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Enquanto isso, uma autoridade ‌de segurança paquistanesa declarou que, nesse estágio, parecia improvável que houvesse conversações diretas entre os EUA e o Irã nesta semana. "Estamos fazendo o possível para que isso aconteça o mais cedo possível", acrescentou.

Baghaei também disse que o Parlamento do Irã estava analisando uma possível saída do Tratado de Não ⁠Proliferação Nuclear, que reconhece o direito de desenvolver, pesquisar, produzir e usar a energia nuclear, desde que não haja buscas por armas nucleares.

Trump citou a prevenção da obtenção de armas nucleares pelo Irã como um dos motivos para atacar o país em 28 de fevereiro. Teerã nega que esteja buscando um arsenal nuclear.

No domingo, Trump disse que os EUA e o ‌Irã estavam se reunindo "direta e indiretamente". Mas ele também tem enviado mais tropas norte-americanas para a região e o Irã tem permanecido desafiador, mantendo o bloqueio do Estreito de Ormuz.

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Em uma publicação nas ⁠mídias sociais na segunda-feira, Trump escreveu: "Houve um grande progresso, mas se, por qualquer motivo, um acordo não for alcançado em breve, o que provavelmente acontecerá, e se o Estreito de Ormuz não estiver imediatamente 'Aberto para Negócios', concluiremos nossa adorável 'estadia' no Irã explodindo e destruindo completamente todas as usinas de geração de energia elétrica, poços de petróleo e a Ilha Kharg."

A guerra espalhou-se por toda a região, matando milhares de pessoas, causando a maior interrupção da história no fornecimento de energia e afetando a economia global.

O Irã disparou contra Estados árabes do Golfo durante o conflito, e uma guerra foi retomada entre Israel e o Hezbollah no Líbano, onde um soldado de paz indonésio da ONU foi morto quando um projétil explodiu em uma de suas posições no sul do Líbano, no domingo. Outro soldado de paz ficou gravemente ferido.

Os contratos futuros do petróleo Brent (LCOc1) subiam US$2,42, ou 2,2%, para quase US$115 o barril às 8h16 de segunda-feira, e caminhavam para uma alta mensal recorde.

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((Tradução Redação São Paulo)) REUTERS TR

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