Grupo pró‑iraniano é suspeito de organizar atentado frustrado em Paris

A escalada da guerra no Oriente Médio começa a produzir efeitos colaterais na Europa. Autoridades francesas investigam a possível ligação de um grupo pró‑iraniano com um ataque explosivo frustrado contra a sede do Bank of America em Paris, episódio que se soma a uma série de ações semelhantes registradas em países vizinhos desde o início de março.

30 mar 2026 - 11h12

A guerra no Oriente Médio, que o jornal Les Echos descreve como a terceira guerra do Golfo, domina as manchetes da imprensa francesa nesta segunda-feira (30). O conflito, que completou um mês neste fim de semana, não dá sinais de trégua e corre o risco de se expandir, afirma o diário econômico. O mundo se vê refém desta guerra que pressiona o crescimento global, com a inflação caminhando para 4%.

Os investigadores franceses suspeitam que o Irã estaria por trás da tentativa frustrada de atentado em Paris contra a filial de um banco americano.
Os investigadores franceses suspeitam que o Irã estaria por trás da tentativa frustrada de atentado em Paris contra a filial de um banco americano.
Foto: AFP - SEBASTIEN DUPUY / RFI

Uma das consequências desse cenário é o aumento das ameaças de atentados em outras regiões. A Europa se tornou um alvo privilegiado, como demonstra o ataque frustrado contra a sede do Bank of America, em Paris, no sábado (28). A tentativa de atentado com uma bomba artesanal foi contida graças à rápida reação da polícia. Três suspeitos, todos menores de idade, foram detidos. Os executores eram indivíduos mal preparados, recrutados pela internet por algumas centenas de euros.

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As investigações apontam que os jovens teriam sido aliciados pelo Hayi ("Harakat Ashab al‑Yamin al‑Islamiyah"), um grupo pró‑Irã desconhecido até o início de março, antes da atual fase do conflito no Oriente Médio.

"Como o Irã semeia o medo na Europa", destaca o título do Le Figaro. O jornal afirma que o Hayi vem disseminando ameaças contra interesses americanos, israelenses e judaicos no continente, recorrendo a propaganda digital multilíngue para ampliar seu alcance.

O ataque frustrado em Paris ocorreu dias depois da divulgação de um vídeo, em 21 de março, no qual o Bank of America é acusado de servir "interesses sionistas" e apresentado como "alvo". O Hayi, contudo, não reivindicou oficialmente a ação.

Guerra hibrida

A tentativa de atentado na capital francesa integra uma série de ataques semelhantes observados desde o início de março, com explosões e tentativas de explosão em sinagogas e instituições judaicas em Oslo, Liège, Roterdã, Amsterdã, Londres e Antuérpia, lembra o jornal Libération. As ações foram filmadas e divulgadas em canais do Telegram associados aos Guardas Revolucionários do Irã.

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Para Libération, essa é uma guerra híbrida conduzida pelo regime iraniano na Europa. O padrão dessas operações aponta para uma estratégia de terrorismo de baixo custo e alta visibilidade, destinada a desestabilizar, espalhar medo, encorajar imitadores e demonstrar que ações mais graves são possíveis. 

Segundo as autoridades, o objetivo é ampliar o clima de instabilidade. Por isso, o ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, pediu "vigilância extrema", sobretudo em torno de alvos judaicos, interesses americanos e opositores iranianos. 

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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