A guerra no Oriente Médio, que o jornal Les Echos descreve como a terceira guerra do Golfo, domina as manchetes da imprensa francesa nesta segunda-feira (30). O conflito, que completou um mês neste fim de semana, não dá sinais de trégua e corre o risco de se expandir, afirma o diário econômico. O mundo se vê refém desta guerra que pressiona o crescimento global, com a inflação caminhando para 4%.
Uma das consequências desse cenário é o aumento das ameaças de atentados em outras regiões. A Europa se tornou um alvo privilegiado, como demonstra o ataque frustrado contra a sede do Bank of America, em Paris, no sábado (28). A tentativa de atentado com uma bomba artesanal foi contida graças à rápida reação da polícia. Três suspeitos, todos menores de idade, foram detidos. Os executores eram indivíduos mal preparados, recrutados pela internet por algumas centenas de euros.
As investigações apontam que os jovens teriam sido aliciados pelo Hayi ("Harakat Ashab al‑Yamin al‑Islamiyah"), um grupo pró‑Irã desconhecido até o início de março, antes da atual fase do conflito no Oriente Médio.
"Como o Irã semeia o medo na Europa", destaca o título do Le Figaro. O jornal afirma que o Hayi vem disseminando ameaças contra interesses americanos, israelenses e judaicos no continente, recorrendo a propaganda digital multilíngue para ampliar seu alcance.
O ataque frustrado em Paris ocorreu dias depois da divulgação de um vídeo, em 21 de março, no qual o Bank of America é acusado de servir "interesses sionistas" e apresentado como "alvo". O Hayi, contudo, não reivindicou oficialmente a ação.
Guerra hibrida
A tentativa de atentado na capital francesa integra uma série de ataques semelhantes observados desde o início de março, com explosões e tentativas de explosão em sinagogas e instituições judaicas em Oslo, Liège, Roterdã, Amsterdã, Londres e Antuérpia, lembra o jornal Libération. As ações foram filmadas e divulgadas em canais do Telegram associados aos Guardas Revolucionários do Irã.
Para Libération, essa é uma guerra híbrida conduzida pelo regime iraniano na Europa. O padrão dessas operações aponta para uma estratégia de terrorismo de baixo custo e alta visibilidade, destinada a desestabilizar, espalhar medo, encorajar imitadores e demonstrar que ações mais graves são possíveis.
Segundo as autoridades, o objetivo é ampliar o clima de instabilidade. Por isso, o ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, pediu "vigilância extrema", sobretudo em torno de alvos judaicos, interesses americanos e opositores iranianos.