Na cúpula do Brics, Irã e Emirados Árabes Unidos apoiaram uma declaração conjunta que pede moderação no Oriente Médio, proteção a civis e respeito à soberania dos Estados. O evento marcou uma aproximação diplomática entre os dois países rivais, com uma reunião inédita entre o presidente iraniano Masoud Pezeshkian e o príncipe herdeiro de Abu Dhabi para discutir a paz regional, em meio a recentes tensões militares mútuas e ataques envolvendo forças norte-americanas.
O Irã e os Emirados Árabes Unidos aderiram, neste sábado, a uma declaração conjunta do grupo de nações Brics que apela à moderação na guerra no Oriente Médio, em um gesto visto como um sinal de progresso diplomático entre os países divididos pelo conflito.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, também se reuniu com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi à margem do primeiro dia da cúpula do Brics em Nova Délhi, no encontro de mais alto nível entre os países desde o início do conflito.
Os dois líderes discutiram questões regionais e internacionais, a redução da tensão, a estabilidade e os esforços para promover a paz e o desenvolvimento na região, informou a assessoria de imprensa de Abu Dhabi no X, sem mencionar qualquer resultado concreto das discussões.
A cúpula do Brics é um teste à influência diplomática de um bloco criado em 2009 para desafiar uma ordem mundial dominada pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais. Originalmente, era composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, tendo se expandido para incluir Egito, Etiópia e Indonésia, bem como o Irã e os Emirados Árabes Unidos.
Os organizadores da cúpula e diplomatas têm se concentrado em superar a divisão entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, mesmo com os Estados Unidos e o Irã retomando ataques recíprocos na guerra que já dura seis meses.
O Irã lançou ataques repetidos contra os Emirados Árabes Unidos durante o conflito, mais recentemente no final de agosto, quando teve como alvo a Base Aérea de Al Minhad, que abrigava forças e helicópteros dos EUA.
"Expressamos profunda preocupação com a contínua escalada das tensões no Oriente Médio/Ásia Ocidental... apelamos para que se exerça a máxima moderação, bem como para que se evitem ações que possam agravar ainda mais a situação", afirma a declaração conjunta do Brics.
A declaração apelou à proteção dos civis, instou ao respeito pela soberania e integridade territorial dos Estados e enfatizou a necessidade de proteger o comércio global, as cadeias de abastecimento, os fluxos de energia e a segurança marítima.