Incêndio em balsa nas Filipinas deixa dezenas de mortos e governo amplia buscas por desaparecidos

O número de mortos no incêndio da balsa M/V June Aster, nas Filipinas, subiu para 76 neste sábado (12), após equipes encontrarem mais 41 corpos no casco carbonizado da embarcação. Uma dúzia de pessoas segue desaparecida. O barco, que seguia para Coron, em Palawan, foi tomado pelas chamas após uma explosão na área da carga. As autoridades iniciaram a identificação das vítimas por meio de objetos pessoais e exames de DNA, enquanto familiares aguardam notícias no porto de Coron.

12 set 2026 - 11h27
Resumo
Um incêndio devastador na balsa M/V June Aster deixou dezenas de mortos e cerca de doze desaparecidos próximo a Coron, nas Filipinas. O fogo começou após uma rápida explosão no setor de cargas, bloqueando passageiros na classe econômica e destruindo a embarcação. Até o momento, 43 pessoas foram resgatadas com vida. As equipes de resgate continuam as buscas e iniciaram a identificação das vítimas por DNA, reacendendo debates sobre a precária segurança marítima no país.

O balanço anterior apontava 35 vítimas. A embarcação, que seguia para Coron, destino turístico da ilha de Palawan, pegou fogo após uma explosão na área da carga e foi tomada pelas chamas em poucos segundos, segundo autoridades locais. Uma dúzia de pessoas continua desaparecida, enquanto famílias tentam identificar objetos pessoais recolhidos no navio.

Uma equipe da Guarda Costeira das Filipinas, usando trajes de proteção, descarrega sacos mortuários com vítimas do incêndio em um ferry no porto de Borac, em Coron, na província de Palawan, em 12 de setembro de 2026.
Uma equipe da Guarda Costeira das Filipinas, usando trajes de proteção, descarrega sacos mortuários com vítimas do incêndio em um ferry no porto de Borac, em Coron, na província de Palawan, em 12 de setembro de 2026.
Foto: AFP - RON LOPEZ / RFI

Autoridades ampliam buscas 

O avanço das buscas ocorreu ao longo deste sábado, quando equipes dos guarda-costas retornaram ao interior do ferry encalhado em um pequena ilha próxima a Coron. O comodoro Geronimo Tuvilla afirmou que novos corpos foram localizados na área destinada à classe econômica, onde muitos passageiros ficaram presos após a explosão. As autoridades ainda não informaram quantos corpos permanecem a bordo.

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Os restos mortais estão sendo levados ao porto de Coron, onde serão identificados. A porta-voz dos guarda-costas, Noemie Cayabyab, explicou que o transporte inicial foi limitado a 30 corpos devido à capacidade do navio de patrulha. Cinco mortes haviam sido confirmadas logo após o incêndio, ocorrido na sexta-feira (11). Trinta passageiros e 13 tripulantes foram resgatados com vida.

A porta-voz oficial, Kristine Ablana, afirmou que os corpos serão enterrados provisoriamente até a conclusão das análises de DNA. Antes disso, as famílias serão convidadas a reconhecer objetos pessoais recolhidos na balsa. "Se alguém identificar uma foto ou algum item, será solicitado um exame de DNA", disse Ablana.

Relatos de sobreviventes e familiares expõem drama da tragédia

Perto da área onde os corpos são desembarcados, familiares aguardam notícias. Josenit Mayo, 40, contou que sua filha estava no barco voltando de Manila para visitar a família. "Ela me disse: 'Mãe, quero voltar para casa, sinto falta dos meus irmãos'", relatou Mayo, chorando. Segundo ela, a jovem insistiu na viagem porque se sentia sozinha na capital.

Myra Cabilan viajou de avião até Coron para procurar o irmão desaparecido, Rammel Gonzaga, 40, que embarcou em Manila para uma viagem de trabalho com o cunhado. "A esposa dele deu à luz há um mês. Ele estava tão feliz com a filha", disse Cabilan. "Ao amanhecer, eu ainda acreditava que ele tinha sobrevivido. Mas continua desaparecido. Perdi toda esperança."

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Nas redes sociais, centenas de pessoas publicaram mensagens na página de um prefeito local pedindo informações sobre parentes, amigos e até um cachorro que estava a bordo. A mobilização reflete o impacto da tragédia em um país onde o transporte marítimo é amplamente utilizado e historicamente marcado por acidentes graves.

Explosão na área da carga provocou avanço rápido das chamas

Segundo Cayabyab, a explosão ocorreu na área da carga e espalhou fogo por todo o navio "em poucos segundos". O M/V June Aster, que transportava passageiros e mercadorias, ficou completamente destruído. A rapidez das chamas dificultou qualquer tentativa de evacuação organizada, especialmente entre passageiros que viajavam na classe econômica.

A balsa permanece encalhada próximo a Coron, região conhecida por praias e lagoas que atraem turistas internacionais. A localização remota complicou o trabalho das equipes de resgate, que precisaram coordenar o transporte dos corpos e dos sobreviventes até o porto principal.

As autoridades filipinas ainda investigam a causa da explosão. Acidentes envolvendo balsas são frequentes no país, que possui mais de 7 mil ilhas e depende intensamente do transporte marítimo. Em janeiro, um barco de três andares com mais de 340 pessoas afundou no sul do país, deixando ao menos 52 mortos.

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Histórico de acidentes marítimos reacende debate sobre segurança

A tragédia reacende discussões sobre segurança marítima nas Filipinas, onde embarcações frequentemente operam com manutenção precária e fiscalização limitada. Especialistas locais afirmam que o aumento do fluxo de passageiros, combinado à sobrecarga de ferries, contribui para acidentes recorrentes.

O governo filipino costuma anunciar investigações após grandes tragédias, mas medidas estruturais avançam lentamente. Em Coron, moradores relatam preocupação com o estado de embarcações que fazem rotas regulares entre Manila e Palawan, especialmente durante períodos de maior demanda turística.

A identificação das vítimas deve levar dias, devido ao estado dos corpos e à necessidade de exames de DNA. Enquanto isso, famílias aguardam informações em Coron, onde autoridades montaram uma estrutura emergencial para atendimento psicológico e coleta de dados.

Tragédia mobiliza autoridades e expõe fragilidades do sistema marítimo

Com o aumento do número de mortos, o governo local intensificou operações de busca e resgate. A prioridade é localizar desaparecidos e acelerar a identificação dos corpos já recuperados. A tragédia também mobilizou organizações humanitárias que atuam na região, oferecendo apoio às famílias.

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A investigação sobre o incêndio deve incluir análise da carga transportada, condições de manutenção da balsa e procedimentos de segurança adotados pela tripulação. Para especialistas, o caso pode pressionar autoridades a reforçar normas de fiscalização e exigir padrões mais rígidos de operação.

A tragédia no M/V June Aster se soma a uma série de acidentes que, ao longo dos anos, expuseram fragilidades do sistema marítimo filipino. A expectativa é que o governo anuncie medidas emergenciais nos próximos dias, enquanto Coron tenta lidar com o impacto humano e social da maior tragédia recente na região.

Com AFP

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