Países do Brics expressam 'preocupação com medidas tarifárias unilaterais'

Índia defendeu maior protagonismo do Sul Global na governança internacional

12 set 2026 - 10h26
(atualizado às 10h36)
Resumo
Em cúpula na Índia, os países do Brics criticaram o avanço de medidas tarifárias unilaterais e o protecionismo comercial, alertando que tais práticas violam normas da OMC e ameaçam o comércio global. Xi Jinping pediu rejeição a tarifas arbitrárias, enquanto Narendra Modi defendeu maior protagonismo do Sul Global nas decisões mundiais. O encontro ocorre sob tensão entre EUA e Irã e conta com a ausência do presidente brasileiro Lula, único líder fundador ausente devido ao cenário eleitoral no Brasil.

Em um comunicado conjunto divulgado pelo governo da Índia, sede da cúpula do Brics, os países do bloco expressaram neste sábado (12) "séria preocupação com o uso crescente de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais".

Índia defendeu maior protagonismo do Sul Global na governança internacional
Índia defendeu maior protagonismo do Sul Global na governança internacional
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A nota, veiculada pelo Ministério das Relações Exteriores de Nova Délhi, acrescentou que essas ações "distorcem o comércio e são incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC)".

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"Trabalharemos juntos para fortalecer a capacidade da OMC de lidar com distorções comerciais e atender às necessidades e prioridades dos mercados emergentes e das economias em desenvolvimento, bem como para avançar nas discussões sobre questões pendentes e apoiar resultados equilibrados, inclusivos e concretos que fortaleçam o sistema multilateral de comércio e permitam que ele enfrente melhor os desafios globais em evolução", diz o documento.

As nações do Brics também afirmaram que "a proliferação de medidas restritivas ao comércio", manifestada por meio de aumentos de tarifas e medidas não tarifárias ou de protecionismo disfarçado de objetivos ambientais, "ameaça reduzir ainda mais o comércio global, perturbar as cadeias de suprimentos globais e introduzir incertezas nas atividades econômicas e comerciais internacionais".

O presidente da China, Xi Jinping, instou os países que integram o bloco a se "oporem a tarifas arbitrárias e a rejeitarem todas as formas de protecionismo".

"[Os países devem] opor-se a violações da soberania de outros países e à interferência em seus assuntos internos, e participar de forma construtiva na resolução de questões críticas", afirmou Xi.

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Já em seu discurso de abertura na cúpula, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, afirmou que o "Sul Global" deve se tornar um "formulador de regras" e propôs a "elaboração conjunta de 10 propostas para a reforma da governança global".

"Hoje, o Sul Global está na linha de frente das crises globais, mas permanece em segundo plano nos processos de tomada de decisão. Devemos transformar essa 'pirâmide de privilégios' em uma 'plataforma de parceria', um modelo no qual cada nação tenha voz, cada membro desempenhe um papel ativo e o desenvolvimento humano esteja no centro de todas as iniciativas", declarou.

A reunião, que acontece entre hoje e amanhã na capital indiana, está sendo organizada em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã, país integrante do Brics.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, será o único líder dos países fundadores do grupo a não participar do encontro do bloco. A ausência do mandatário se deve à campanha eleitoral em curso no Brasil. .

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